Infratores na Agência Bancária
Dentro da agência bancária, sentado calmamente, cercado por vários infratores da lei… Se não fosse a impaciência comum que uma simples espera proporciona ao ser humano, estaria em completa paz, pois estava muito cansado e aquele momento parado ali parecia agradável e merecia ser aproveitado. A fadiga em questão se desenvolveu devido a uma caminhada no centro. Encontrei um amigo “nerd” que há muito tempo não via para comprar alguns aparelhos eletrônicos e então ele iria arrumar meu notebook. O objetivo era bem simples, mas foi dificultado devido ao excesso de pessoas que circulavam por lá. Havia muita gente atrás de emprego. Vi tantas cenas e pessoas que o tema desse texto poderia ser uma delas, mas eu teria dificuldade, provavelmente, porque para descrever é necessário olhar com calma, atenção e SEM O CELULAR NA MÃO!
Antes de entrar no banco, para evitar todo o infortúnio que a porta de segurança proporciona a duas pessoas com mochilas e diversos objetos eletrônicos, Jeferson decidiu ficar lá fora com a mochila e sacolas. Então, para trabalharmos de maneira sinérgica e “ganharmos” tempo, minha carteira e celular ficaram com ele também. Comigo, apenas o documento do carro do meu irmão e o dinheiro para realizar o pagamento, obviamente.
Não havia tantas pessoas para serem atendidas naquele momento. Contudo, minha vez não chegou tão rápida quanto eu desejava. É provável que o tempo tenha parecido mais lento para mim do que para os outros que aguardavam, pois mexiam em seus respectivos celulares e, dessa maneira, fugiam do tédio. Entretanto, com isso, estavam também desrespeitando uma lei municipal vigente em Curitiba desde 2010, desrespeitando os avisos fixados nas paredes e também o segurança que estava próximo, mas que não interviu nem chamou a atenção de ninguém. Segundo a lei, o indivíduo pode ter seu aparelho apreendido e devolvido apenas na saída, e em casos mais graves a polícia pode ser chamada.
Nenhum deles tirou o aparelho das mãos, sem exceção nem do senhor que aparentava ter mais que 80 anos. Na verdade, este foi o que mais me impressionou e tive até que controlar o riso. Passava o dedo indicador freneticamente da direita para a esquerda na tela de seu smartphone como se estivesse utilizando o aplicativo de relacionamentos “Tinder”.
Também havia um homem de óculos que deveria ter entre 25 e 30 anos. Ele estava tão conectado e concentrado que não fazia movimento nenhum. Permaneceu o tempo todo com o celular na mão esquerda. Só mexeu a cabeça e mudou a direção do seu olhar quando tocava o som das senhas e tinha que ver se era sua vez. Tive a sensação que ele fosse um pouco corcunda.
Na minha frente, mais dois infratores próximos dos 30 anos. Um chegou depois, baixinho e com cara de bravo. Parecia muito preocupado com algo. Pensei que pudesse ser algo relacionado ao seu trabalho. Tinha também um garoto que parecia bem novo. Talvez fosse menor de idade. O comportamento deste foi mais esperado, se considerarmos que a juventude tem maior afinidade com a tecnologia e afins.
A última pessoa a entrar também me surpreendeu bastante. Nessa altura da história eu já não colocava a “mão no fogo” por mais ninguém, mas a mulher grávida de expressão doce, aparentando ter uns vinte cinco anos, me fez crer que finalmente tinha aparecido alguém cuja índole fosse de respeito à lei ou ao menos de bom senso. Não demorou muito e o aparelho eletrônico — extensão do homem moderno, já estava na mão da futura mãe. Além de mexer nele, jogar ou usar internet, por exemplo, fez uma ligação e falava tão alto que me fez procurar por algum aparelho de audição encima de sua orelha. Mesmo nesse caso, o segurança não demonstrou incomodo e continuou com seu olhar vago e distante.
Logo chegou a minha vez. Apesar de ter me distraído observando o comportamento dos infratores e do segurança que não se importou com eles, estava ansioso. Fui atendido, porém, não consegui fazer o pagamento para o meu irmão. Saí com pressa e um pouco nervoso por ter perdido tanto tempo ali. Quem sabe era meu inconsciente trazendo emoções à tona. Quem sabe no fundo eu também quisesse estar infringindo a lei.