Veja o que aprendi quando tive que ajudar minha esposa

Jonatas Abdias
Aug 26, 2017 · 4 min read

Ajudar o conjuge, pra muitos, parece ser uma tarefa árdua, da qual procuram se esquivar. Principalmente os homens, quando suas esposas são donas de casa. Essas impressões podem ser apenas baseadas em características muito pessoais. Entretanto, não é delas que quero falar.

Como homem, acredito que de vez em quanto todo homem deveria tirar tempo pra ajudar sua esposa, em ocasiões que vão além da necessidade. Eu ainda diria que essa ajuda deveria vir mais de “vez” do que em “quando”. Uma outra observação que fica ao longo do caminho, para a qual não posso dar atenção agora.

Como cristão, acredito que essas ajudas nos ensinam muito sobre nosso relacionamento com Deus, também. Uma meditação me ocorreu durante o tempo que ajudava minha esposa, e essa sim gostaria de compartilhar. Segue, então, o que aprendi enquanto estava ajudando minha esposa esta manhã.

Minha esposa não se sentiu muito bem no dia separado para fazer a faxina, então, o dia foi mudado, e pela disponibilidade, todos tivemos nossa parcela de contribuição. Assim, a casa estaria em ordem e não perderíamos o dia nisso. O cômodo designado para mim foi o banheiro.

Se você é cristão já algum tempo, acredito que conseguiria ver facilmente algumas lições em potencial, como o valor do amor ao próximo, a graça do trabalho em equipe ou a bênção de servir seu irmão (nesse caso, sua esposa). Mas uma lição em particular me chamou a atenção enquanto meditava nessas coisas. Geralmente a gente vê virar piada o zelo que a mulheres tem pela casa, principalmente após uma bela faxina.

O cuidado que elas demonstram, que em alguns casos faria até o Smeagle achar exagero (à menos que fosse o seu anel), eu acredito tem mais a ensinar do que prover material para anedotas. Me deparei com a consciência disso quando terminei de limpar o banheiro.

Depois de gastar um bom tempo limpando e deixando aquela louça branca “um brinco”, e depois de ter expurgados os cabelos (gente, precisamos falar dos cabelos! Que incrível a quantidade de cabelos que cai e a mulher não ficar careca! Os homens não tem esse privilégio…), e depois de ter exugado o chão, saindo de ré em direção da porta pra não deixar o piso secar com as manchas do seu calçado, eu entendi, ainda que um pouco, a sensação que leva qualquer pessoa que terminou um bom trabalho a olhar pro que foi realizado e dizer com ar de satisfação: My precious (meu precioso)! Quando eu terminei com o banheiro, minha primeira oração foi: “Senhor, não mande ninguém pra cá até que o chão seque. Age na bexiga de todos e os mantenha distantes por horas!”

Quando a gente termina de fazer qualquer coisa que a gente julga bem feita, ou cuja beleza da realização nos enche de satisfação, uma das primeiras coisas que queremos fazer, penso eu, é admirar. Depois, queremos o reconhecimento por aquilo: “Bonito, você não acha?” E por fim, queremos que o feito seja honrado, isto é, que seja preservado, cuidado e mantido tal qual como quando terminamos. E foi aí que minha mente foi levada ao Gênesis.

Qualquer pessoa que já se tenha dado a um trabalho manual, e terminado esse com êxito, saberá ainda que numa escala bem menor, a sensação que Deus experimentou no dia 7 da criação. Aquela primeira semana tinha sido intensa. Nada havia antes, nem o tempo. E uma semana depois, o mundo estava lá: lindo… perfeito… fabuloso… desfrutável! Deus, em sua graça, convida o homem recem criado a, antes de tudo, desfrutar. Deve ser por isso que gostamos tanto da sexta-feira, não?

Veja que quando Deus terminara sua criação, fomos todos convidados a entrar e desfrutar de sua beleza e benesses. E aí veio o pecado, e com ele a sujeira que manchou a Terra. O jardim bendido foi arrazado pela feiúra do mal, e tenho por compreensível a expulsão deles do Éden… afinal, o que acontece, porém, quando sua esposa acabou de “passar pano” no chão da cozinha, e você entra com os pés cheios de grama e terra, que te acompanharam desde o campo de futebol, mas resolveram se desprender da chuteira somente ali, no precioso chão recém limpo da cozinha de casa?

Obviamente que não foi só esse sentimento que nos acomete que fez com que Deus tomasse as decisões que tomou. E a comparação realmente termina por aqui; afinal, qual de nós demonstra a graça que Deus demonstrou quando vestiu os desnudos desobedientes, ou lhes preservou a vida quando a transgressão se lhes demandava a morte, ou ainda a preciosa promessa de um redentor que poria em ordem a desordem trazida por outrem?

Me pus a pensar, porém, no porquê Deus colocou (e/ou deixou) em nós esse sentimento quase inexplicável de satisfacão pelo bem feio, e ódio pelo mal feito? Mesmo que eu não tenha todas a respostas, eu acredito que seja para que valorizemos ainda mais o que de bem feito vejo ao meu redor. Mais do que o simples reconhecimento, por mais necessário que seja, o desfrute em honra parece ser uma opção viável também, assim como valorizar e cuidar.

Termino com a mais preciosa lição que aprendi: a que me levou a meditar no quão pouco me ressinto por ter sujado com meus pecados a beleza do que Deus dispôs a mim, do pouco que paro pra pensar no desgosto do Criador ao ver sua criação (dentre a qual nos incluímos) maculada de modo tão vil pela corrupção do pecado, e por fim, do valor que tenho que dar ao que Cristo fez em meu lugar. Ele, Cristo Jesus, não só impediu que a ira de quem limpou o chão me atingisse, como foi lá e limpou minha sujeira, aplacou a ira justa e me fez ver meu descaso. Assim, aprendi mais sobre Deus, minha esposa e sobre mim. E você, o que aprende quando ajuda seu conjugê?

)
Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade