Érebo - Charlie
para Charles Baudelaire

Nem todos os gatos servem 
para todas as caixas.
As caixas não são para todos os gatos,
tampouco nem todo paradoxo
é seu esconderijo
secreto, segredo, sagrado.

Estética 
viva ou morta
da cor que melhor convier.
que agrada e desagrada
homem ou mulher,
feiticeira e ermitão.

Tua pata gesticula, acena
no espaço dos imortais.
Dos Miltons
mil tons, e nos lembra
de que teu nome é legião.

Teu carisma se aproveita
do soneto dos malditos, 
e eu que sou mais que mausoléu
em tua ranhura 
de Nada, de Bast
de espirro de leão,

logo eu que condeno
a infinitos carnavais, 
a massa dos meus irmãos,
beijo essa idolatria,
trançado semideus.
Entre meus desejos,
minhas pernas
e silêncios.

Tu que é pecado, caduceu,
cajado egípcio, 
vingança ferina, Orfeu.
Tu, que é mais belo do que tu.
Em teu pavor arranhacéu 
eu e tu que me tremes
como treme um perdão no inferno
e vai tremer a lingua portuguesa
quando aprenderes a falar.

Sonhei em teu rugir agudo
as ilusões do mundo,
o érebo dos condenados.
Ouve-me, que sei que foste tu
o salitre de minha confissão
suicida caótica pós-moderna.
Porque em todo esse meu adeus
o que sobra são miados.

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