Pequeno garoto com o violino


Ele era tão pequeno, minúsculo, quase não conseguia enxergar através das plantas gigantes que cresciam ao seu redor. Podia, mas a sua imaginação dizia o contrário — mesmo depois de alguns muitos anos continuava a pensar assim, apesar de ter crescido e visto que seria impossível manter esta forma.

O pequeno garoto não sabia o que fazer da sua vida. Ora, era apenas um pequeno garoto. Tão pequeno que os seus pequenos braços batalhavam contra as cadeiras pesadas que tinha de carregar em algum dia qualquer. Desejava ser forte, grande, que todos pudessem notá-lo. Alguns o faziam, mas muitos duvidavam da sua capacidade de crescer.

Então decidira que seria hora de procurar algo novo — talvez a música. Seus dedos finos eram ágeis e os seus braços tão finos quanto tinham a capacidade de se movimentarem feito gravetos ao vento.

Tentou o piano, mas não conseguiu. Tentou a guitarra, até, mas a vida lhe impediu. Mas antes da guitarra e depois do piano, o pequeno garoto pensou em violino. Não era fã das músicas, a princípio, e ouvir orquestras com uma fita cassete em casa matavam-lhe de terror.

Este não era o seu único medo.

O pequeno garoto com o violino temia seu professor, que era um vilão em toda a história. Era mau, grosseiro, não permitia que seus alunos aprendessem com alegria — o medo era sua arma principal.

Quando o menino dos dedos finos estava prestes a entrar no grupo principal de todos os outros meninos e meninas e homens e mulheres dos violinos e instrumentos variados — desistiu. Era demais para ele.

Então imaginou não conseguir conquistar mais nada na vida. E de fato, muita coisa no seu caminho ficou incompleta. Mas mesmo assim, quando o pequeno garoto do violino lembra dos seus dedos finos, volta com esperança para o passado e observa seu futuro, mesmo que cheio de neblina, como tudo ficaria bem.