Zeta

Livremente baseado nas memórias de Klébson Lima

Os relâmpagos azuis cortam o céu negro e iluminam a noite fria, os trovões fazem tremer as portas e janelas, os cachorros e gatos da vizinhança se escondem, os mais pobres levantam panelas para cima pela água celestial. Enquanto isso, da varanda da sua casa, K observa o céu, concentra-se em ver o brilho vermelho.

Como todas as noites, K senta-se na varanda e examina o céu, mas essa é uma noite especial, foi numa noite como essa que seu pai partiu, a nave decolou à atmosfera, e se afastou suficiente para sobrar apenas um brilho vermelho, antes de desaparecer.

Sua mãe, que já havia desistido de fazê-lo entrar, traz um cobertor e uma sopa com pedaços de pão embebidos — um beijo na testa, um olhar de preocupação, um suspiro.

K não tira os olhos do céu, outras naves sobrevoam, mas ele não se distrai, nenhuma delas é aquela. As esperanças de K não vão morrer tão cedo, disse-lhe que voltaria, ele tem que voltar.