Meu Feminismo é para homens
Kiya Varella
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Bom dia, Kiya. Primeiro, parabéns pelo texto. A visão de um feminismo plural fez abrir mais minha cabeça, eu realmente entendia o movimento como uma luta unificada em todos os sentidos. Contudo, ainda me encasqueta o seguinte: mesmo com suas variações, todas as vertentes do feminismo tem como objetivo comum o da igualdade de gêneros. Mas igualdade de gêneros perante o quê, onde? Numa sociedade, certo? Eu queria entender porque cada vez mais, ao meu ver, vemos um feminismo que, vamos dizer, “despreza” o homem.

Claro que eu, como homem gay, também desprezo a homofobia. Mas eu não confundo meu alvo com todos os héteros.

Eu citei esse lance da sociedade porque queria chegar à conclusão de que igualdade de gêneros não se constrói por um só gênero. Como ser mais claro? O objetivo do movimento não é mudar a sociedade? Como excluir metade dela disso!? Por que o homem não pode falar de feminismo? Por que ele não pode ser feminista?

Me julgue pela afirmação seguinte, quero muito estar redondamente errado, mas quando vejo homem sendo hostilizado porque a mulher tem que ter o “protagonismo” me parece que há ali uma certa, como dizer?, cobiça, inveja, sei lá. Como se o STF, grupo de 11 ministros héteros, ao declarar legal o casamento homoafetivo, estivesse roubando (olha esse verbo!) o protagonismo gay da luta anti-homofóbica.

Eu entendo que deve haver um ressentimento enorme por parte das mulheres em relação a nós por tudo o que ao gênero foi feito. Mas não me parece inteligente querer mudar a sociedade sem metade da sociedade.

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