A zapificação nivela os relacionamentos não apenas porque eleva os contatos mais distantes a um status privilegiado de acesso a nosso tempo. Mas também porque frequentemente rebaixa as pessoas mais importantes da nossa vida ao espaço de uma janela de chat, em substituição a formas mais ricas de interação.
Ser acessível demais é um problema. Não quando é para as pessoas mais importantes da nossa vida, é claro. Filhos, esposa/o, irmãos, namorada/o, amigos/as. Mas o problema é que o WhatsApp trouxe contatos de todos os graus para o mesmo espaço e, simbolicamente, para o mesmo círculo de intimidade. Acontece que, na vida real, estar conectado o tempo todo não significa estar disponível a qualquer hora para responder demandas de trabalho do chefe. Estar online na hora do almoço trocando mensagens com a filha não quer dizer também estar disponível para falar com um cliente. Passar a madrugada online porque está em uma conversa muito animada com a paquera significa, você sabe, estar ocupado para todo o resto do mundo naquele momento.