João Carlos Pomu
Jul 30, 2017 · 2 min read

Por mim eu te veria o tempo todo. Quando eu fechasse os olhos, minha próxima respiração viria carregada do seu cheiro e você surgiria de um fundo preto alaranjado, porque o Sol está batendo no meu rosto. Eu poderia dizer que o Sol, para mim, é como você. Mas não é. Você é mais que o Sol.

Por mim, eu acordaria ao seu lado todos os dias. Observaria o quão linda você é mesmo quando acabou de levantar. Sempre escutei as mulheres reclamando do quão feias e descabeladas elas acordam pela manhã. Tenho que me segurar para não rir deles, já que você faz acordar bonita parecer tão fácil.

Nos esbarraríamos e trocaríamos olhares pelo apartamento enquanto preparamos o café e nos arrumamos. Iríamos para a escola, para o cursinho, para a universidade, no mesmo carro. Eu te faria infinitos carinhos e brincadeiras idiotas só para ver um sorriso seu.

Quando a noite chegasse, eu te olharia do mesmo jeito que você olha para a Lua. Você brilha assim como ela, mas a diferença é que você não está refletindo luz. Todo o seu brilho é seu. Eu iria te levar para jantar. Tanto faz onde: te levaria para algum restaurante sem muita gente ou para o nosso apartamento, que fica cheio só com nós dois.

Dormiria na mesma cama e sonharia com você depois de um longo beijo de boa noite. Tudo para acordar no dia seguinte e fazer tudo igual, só que diferente, como só nós conseguimos fazer.

Mas eu sei que de verdade não dá para ser assim. Gostaria que desse, mas não dá. Somos dois mundos que gostam de orbitar um próximo ao outro. Dividimos histórias, espaço, acontecimentos. Mas uma hora nós nos viramos de lado e não vemos mais um ao outro. Precisamos do nosso tempo, do nosso pensamento, sem outra voz para atrapalhar o raciocínio.

Faz parte de ser duas pessoas diferentes passando muito tempo juntas.

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