Lições que tirei de uma conversa com uma senhora de 68 anos

Fazia muito tempo que não tinha uma conversa tão legal como tive no primeiro dia do ENEM, na volta para casa, com uma senhora de 68 anos que me abordou na rua questionando: “Oi, você estava fazendo a prova do ENEM?”

Respondi que sim e ela entusiasmou-se perguntando sobre o que havia caído no exame. E eu falei, que havia caído sobre vários temas dentre eles a mulher na sociedade atual e sem querer citei Simone de Beauvoir. Me espantei com a reação: “Nossa, que legal! Eu adoro Simone de Beauvoir”. Ai iniciou uma longa conversa. E como aprendi muito com ela! Falamos sobre o papel da religião em cidades pequenas, preconceitos que todos temos, educação e cultura.

Ela me contou que é apaixonada por ler e me pediu: “Se tiver livros em casa que não lê mais, tráz para mim, eu adoro ler e na minha idade, ler é uma coisa que movimenta o cérebro”. Ela me falou também que havia adorado conversar comigo pois hoje em dia “os jovens não conversam com as pessoas mais velhas”, nas palavras dela.

Ela me contou também, em outro momento, que havia ido a pé até o Congresso Nacional em Brasília durante o período das “Diretas Já” e que tinha sido presa quando tentava voltar para Minas Gerais. Me mostrou um recorte velho de jornal que mostrava isso e as pessoas que haviam sido presas junto com ela, incluindo jornalistas hoje muito conhecidos.

Me contou sobre ter sido freira durante dez anos e já ter morado em muitos lugares, inclusive fora do Brasil e como isso enriqueceu sua cultura.

Achei aquilo tudo tão fantástico. Conhecer uma pessoa de 68 anos numa situação totalmente inesperada, apaixonada por ler, que conhece e debate tudo quanto é tema da atualidade, melhor até que pessoas mais novas e que acima de tudo, mesmo morando absolutamente sozinha, tem alegria de viver.

Nesse dia finalmente consegui entender o significado da expressão “ganhei meu dia”. Literalmente ganhei meu dia naquele momento!