Não, nós não nascemos simplesmente para ganhar dinheiro

Você acha que vale a pena passar a vida toda sonhando em comprar um carro caríssimo? Só por conta do seu motor hiper potente, mas que na prática você só conseguirá aproveitar até determinada porcentagem pois o limite de velocidade na maioria das vias varia de 60 a 120 kms/h?

Isso soa egoísmo. Na verdade não soa, é.

E egoísmo é uma palavra interessante. Numas das definições do dicionário, ela caracteriza-se por “amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem”. Mas a minha definição é: amor exagerado pela satisfação do próprio ego em detrimento dos outros.

Acabei de entrar na faculdade e já estou espantado com a veneração ao “Deus mercado”. Só se fala em “mercado de trabalho”. Nunca vi nenhum professor falando sobre como é trabalhar como voluntário na ONU, no Médicos sem Fronteiras ou outra organização global. Nunca vi nenhum mestre ou doutor falando sobre como é abrir o próprio negócio sem ir direto recorrer ao mercado de mercado depois que se forma.

Com isso, a cultura do “trabalhar, ganhar dinheiro e morrer” vai se construindo nas escolas e nas universidades. Pessoas sem perspectiva de futuro, que fazem tudo pela grana, pelo poder, pelo status. Qualquer trabalinho que aparece o fulano pega, pq ele precisa de grana imediata. Grana para gastar, para mostrar que tem, para pagar a sua internet e postar no Facebook. Fotos de comida, de animais, de festas, de baladas, de bebedeira. Tudo para que? Pq ele tem que MOSTRAR. O que não é mostrado, não acontece, nunca aconteceu e não é lembrado.

E como não mostrar que você participou daquela festa animada? (que no fundo estava chata pra caralho). Tem que mostrar, pq hoje você tem que não só ser, como PARECER feliz. A “ditadura da felicidade”, narrada brilhantemente por Leandro Karnal.

Só que o objetivo deste post não é falar sobre uma pessoa querer parecer quem ela não é. O objetivo é falar de PROPÓSITO DE VIDA.

Aquela famosa pergunta: pq você acorda todo dia? Se a resposta for: acordo todo dia para ganhar dinheiro, consumir desesperadamente igual um ser irracional e morrer, você não tem propósito de vida. Você tem problemas psíquicos.

Nos últimos anos conheci muita gente com propósito de vida. Conheci pessoas dedicadas a promover a inclusão social. Que lutam pela igualdade racial. Pela igualdade de gênero. Pela educação. Pela vida. Pelo direto a dignidade.

E é dessas pessoas que eu posso dizer que sou FÃ. Adoro esse pessoal com PROPÓSITO. Com VALORES. Que não reclamam, FAZEM. Que não rezam, AGEM (ou se rezam, também agem). Que não estão preocupados em quanto vão ganhar, mas sim em fazer a diferença no mundo, na vida das pessoas, localmente.

Confesso que nos últimos dias que estou completamente desiludido com o mundo. E isso ta me deixando numa angústia enorme. Talvez fosse melhor viver na alienação. Talvez fosse melhor não questionar tudo de errado que vejo. Viver num mundo de ilusão, em que tudo se resume em comprar, comprar, comprar. Parecer, parecer e parecer. Em que tudo é perfeito enquanto se tem dinheiro. Pode acontecer dele acabar. Ai tudo vira um pesadelo.

Então, reflita novamente: eu preciso desse carro? Eu preciso de ganhar muito dinheiro? Quando eu morrer qual o legado vou ter deixado para o mundo? Quanta poluição eu gero consumindo tudo que vejo pela frente?