Uma carta para a minha morte

Ainda que eu seja muito novo e espero não a ver tão cedo, a morte é algo que me amedronta e espero um dia saber lidar com ela o dia que bater na porta. Mas esse texto não se trata exatamente da morte sob minha perspectiva, mas de como eu quero que ela seja para os outros.

Nunca me esquecerei da morte do meu avô, talvez a primeira perda que senti na pele. Me lembro de ficar longe do caixão e minha mãe insistir para que olhasse o caixão para vê-lo uma última vez. É uma imagem que nunca saiu da minha cabeça, não exatamente por ser ruim, mas porque não me lembrava o meu avô. Eu acredito que mais do que pele e osso, nós somos o sentimento que carregamos e o corpo prestes a ir pra baixo da terra não é a nossa melhor representação.

Então o que peço é simples, não me façam um enterro. Doem meu corpo para uma faculdade, para que tenha uma utilidade prática. E para aqueles que desejam se reunir para se lembrarem de mim, que se reunam. Façam um belo hambúrguer de costela, com generosas fatias de bacon; apreciem uma Delirium em uma tulipa e assistam Grêmio e São Paulo pela semi final da Libertadores de 2007. Isso sim me será uma bela lembrança.