Outros pés no mesmo rio
Eu sou o Heráclito do Brasil
Eu sou o Nietzsche da caatinga
O eterno retorno da ginga
Uma espécie de Leminski paraense
Um espécime de lince mato-grossense
Sol satânico na baixada fluminense
Floquinho da neve fake catarinense
Brasileiramente lindo
Eu saio a caminhar
Belchior na minha orelha
Avistei um sabiá
Perguntei ao black bird
Sem tempo pra hesitar
Se a canção do exílio
Foi mesmo feita pra cantar
Então
Em verdade vos digo:
Eu sou o Brás Cubas vivo
Vivo como sou
Vivo como posso
Doce novo baiano no mundo
O fundo do poço eu adoço
Olodum acústico
Maracatu rústico
Carro alegórico com asa de avião
Passou reto, olhei pro lado
Gaúcho distraído
Perco a vez no chimarrão
Pergunte ao Pero Vaz
Pergunte ao Satanás
Eu poderia, se quisesse
Escrever mil linhas nesse poema
Se vontade eu tivesse
Meu Brasil de cinco centenas
Com certeza merece
Mas minha preguiça brasileira
De descanso carece
Adorei o resultado
Não sou humilde, confesso
Talvez daqui 500 anos
Eu escreva mais um verso