Os erros expostos no meu reflexo

Eu não consigo mais escrever, e isso é um fato. Antes as palavras saíam com uma facilidade surpreendente, mas agora tudo entala, tudo fica preso em um local imaginário do qual não conseguem sair. E se, por algum descuido, escapam, é da forma errada, mal interpretada, mal dialogada.

Eu mudei muito mais do que eu queria, e ainda não sei dizer se foi da forma que eu precisava, mas dizem que se mudamos é exatamente porque precisamos, não é? Ainda estou descobrindo.

Tem muita coisa acontecendo, o tempo inteiro, e é difícil e doloroso olhar para si mesma e perceber as falhas. Eu errei comigo mesma desde que me entendo por gente. Errei comigo ao tentar ser alguém que eu não era, ao tentar minimizar a pessoa que eu sou apenas para poder me sentir inserida em um grupo social da época. O problema é que as épocas mudam, os grupos também, e parece que sempre que isso acontece a gente se ajusta de novo para poder caber naquela nova moda.

E a gente se encaixa, se sente parte de algo, erra consigo mesma e torce para que aquilo tape o buraco existencial. Mas não funciona, é como tapar o sol com a peneira, e uma hora o rombo fica maior, até que um novo grupo é iniciado e novamente começa a mutação para se sentir parte de algo. E aí eu errava, mais uma vez, com a única pessoa que eu deveria estar agradando: eu mesma.

O reflexo no espelho muda, e a essência se perde conforme os dias passam. E ultimamente o que tem me perseguido é a típica pergunta de filmes de dramas românticos: “quem sou eu?”. O problema é que, nessa altura do campeonato, eu achei que teria a resposta clara para essa pergunta. E eu não tenho. O que eu sei sobre mim mesma é o que as outras dizem, é o que os grupos que eu tanto lutei para ser aceita, dizem.

Talvez eu pudesse reaprender a escrever para tentar recuperar o meu reflexo.

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