Quem um dia eu amei e abandonei

Hoje eu respirei. Sabe aquela sensação de tentar respirar fundo, mas os pulmões não darem conta de tanto ar? Passei meses da minha vida sentindo isto.

Hoje faz um ano da decisão mais difícil que eu já tive que tomar na minha vida (e olha que eu já tive que tomar muitas delas). Não, eu não estava sozinha. Estava no litoral, em outra cidade, com a mão de alguém parar segurar a minha e me dizer que ia ficar tudo bem. Mas eu lembro de chorar até soluçar, até faltar o ar, até enfraquecer.

Nenhum de nós sabia se iria ficar tudo bem. Nenhum de nós sabia que aquilo tudo era só o (re)começo, mas mesmo assim não há um dia no qual eu não pense; no qual eu não sonhe e faça planos como se nada daquilo tivesse realmente acontecido. É o verdade o que dizem: coloquei tanta expectativa em algo que não existia que vez ou outra, quando lembro da verdade, é como se algo estivesse sendo arrancado de mim — de novo.

Aprendi a vida inteira a escrever para aliviar, mas no último ano as palavras sempre engasgam e me sufocam. 
Talvez porque eu imaginava que estaria escrevendo sobre outras coisas. Ou talvez, simplesmente, porque eu não deveria escrever. 
Não até conseguir engolir o bolo sufocante da garganta que me acompanhou por tanto tempo; 
Não até conseguir ter coragem e força suficiente para escrever para ti.

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