espejo

Invasion by Paul Apal’kin

Me volto ao espelho.
Sou o vão entre o que faço de mim mesmo e o que gostaria de ser,
dibujos de um rosto doce
com lábios de um quê descontraído.

Meus olhares se cruzam.
Sinto minhas mãos úmidas,
pequenas gotas fazem seu trajeto irregular
até o ladrilho frio
uma
a
uma
lentamente
enquanto em minha frente divaga
um conflituoso pedaço do real.

Detalhes à mais, reflexões de menos.
O leve tornar que proporciona o vidro se denota
- daquele lado vive às ilusões.

Pisco. Me penteio rápido.

Vultos de um reflexo reflexivo,
notas de um universo barato.

(da série Poesía Mendocina)