prenúncio para o fim de um amor

Tocarei a campainha timidamente. Minha mão soada e trêmula entre o pequeno buquê de flores campestre e espaço de entrada. Fito um lado qualquer no horizonte, como se algum objeto longíquo fosse mais interessante que a ação por vir — o toque mais desesperado dos ansiosos. Vão abrir a porta, me cumprimentar. Explicarei rapidamente que o procuro, pedirei para avisa-lo. Porta fechada. Porta aberta. Olhos amarrotados, vestimentas de casa. Ficará incomodado como quem não quer me ver. Reclamará das flores mesmo as aceitando. Estará Terra, firme, cravado ao piso como uma Figueira de troncos escuros e retorcidos. Tem um olhar sério quando ameaçado e respostas curtas. O motivo de se afastar, seu desprezo e indiferença não serão ditos. Tampouco aceitará que leu meus recados, os marquei visualizado e só, nada de mais, nada de menos, como quem quer que termine logo. Eu estarei aérea como um bombardeio, explodindo com os olhos, engasgada com lágrimas e soluços nas mãos. Não me deixará entrar, ficaremos ao batente da porta (encostada para ocultar sua intimidade familiar). Me olhará de cima, certeiro, e me dirá que foi um erro, uma invasão de seu espaço, de suas emoções, que sou doida e não o deveria ter feito. Meu rosto molhado, desculpas saem por minha boca, minha fala se atrapalha entre agradecimentos e chororô, você é incrível, se cuida. Andarei com passos turvos, desejarei que me barre (não o fará). Sentada ao banco do ônibus, chorarei minhas últimas gotas. FIM.