O primeiro assédio: que você lembre, que você saiba.

Há uma semana mais ou menos o coletivo feminista Think Olga, lançou a hashtag #primeiroassédio no Twitter, incentivando mulheres a contar quando foi a primeira vez que foram assediadas.

Apesar de achar uma ideia incrível, não acompanhei histórias pois estava na semana do ENEM e eu não conseguia me focar em outra coisa.
Hoje em um grupo do Facebook, uma garota criou um tópico para que pessoas relatassem o seu “primeiro assédio” sofrido.

Estamos na internet e como era de se esperar, várias pessoas ironizaram os casos, porém esse comportamento ridículo não é o motivo que me levou a expor minha opinião mas algo que se repetiu em quase 70% dos casos relatados: a idade da vitima.

Boa parte das pessoas que relataram o primeiro assédio disseram que o mesmo ocorreu quando tinham entre 5 e 7 anos e algo que me veio instantaneamente em mente foi: será que esse foi realmente o primeiro assédio?. Bom, eu não lembro muita coisa que aconteceu antes dos meus 6 anos e acho que boa parte das pessoas também não, se alguém que se lembra de um primeiro assédio mais ou menos na idade que ela consegue guardar mais as informações, quem garante que aquele foi o primeiro assédio mesmo?, quem garante que antes nunca aconteceram assédios e abusos que não são lembrados?. Se alguém é suficientemente capaz de assediar ou abusar de uma criança que pode denunciá-lo, por qual motivo não seria de fazer tais atos com uma criança que não fará nada, um assédio ou abuso sem riscos de denuncias?. Se já é assustador o número de pessoas que relatam o assédio que lembram, imaginem quão assustador seria se fossem descobertos assédios que as pessoas não lembram?.

O texto não é informativo, é apenas para você refletir e parar pra pensar quantos problemas as pessoas escondem por medo e quantas coisas acontecem com crianças indefesas sem que ninguém, e nem elas em muitos casos, saibam.

Talvez a mesma pessoa que hoje diz que “reclamar de assédio é coisa de viado.” (sic), já foram abusadas e são vitimas, sem saber, de um problema que elas insistem em ironizar e não reconhecer que existe.

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