Depoimento pessoal vazio
O legal é o particular, inclusive o seu.
Começou, do nada
Talvez de forma mais espontânea que a onda que atinge a areia
Daí veio o silêncio, o vazio, a decepção pessoal espontânea
Mas não era só comigo, haviam personagens, havia vida
Após isso, parecia próspero, bonito, legal
Talvez interessante seja uma palavra determinante
Eram terras antes pouco exploradas, porém, não desconhecidas
Tudo novo, com a sensação de tudo velho
Histórias, pensamentos, compartilhamentos pessoais simples
Fluía pouco, não era espontâneo, mas fazia bem
Não fazia bem, mas preferimos mentiras reconfortantes
Fingi, forcei, falhei
Tão pouco espontâneo, veio o fruto da oliveira
Como uma pequena chama de luz que se acendia
Porém, era uma chama de fósforo
Logo apagou, apenas restou seu cheiro
Seus vestígios vazios e sujos
Que se esforçavam para não sair da memória
Veio o feijão, tão aleatório como a existência desses versos
Destruidor como ler Nietzsche, mas ele aliviava
A tensão de estar no nada
Foi refúgio, mas também abandonado no meio
Como nós, mas qual de nós ? Todos abandonados no meio
Talvez o problema seja nunca concluir o que pretendemos
Abandonar facilmente, desistir facilmente
Mas no fundo, no íntimo, naquela parte onde nem nós mesmos arriscamos nos aventurar
Sabíamos que não seria mais que isso
Do nada, no nada, para o nada
Talvez na última fase.
