Imagem da reunião da Comintern em 1935

O tal reformismo da “nova esquerda”

Faço esse texto como uma provocação à uma esquerda que já não é tão nova assim, qualquer marxista tem a plena consciência de que a crítica ao reformismo de alguns autores é criticada não poucas vezes por autores socialistas.

Antes de qualquer pressuposto, afirmo que a perspectiva da crítica é marxista; o que não implica que eu o seja.

Talvez seja só uma provocação aos “pós-modernos”. (meu deus do ceu que galera do carajo)


Podemos observar livros como: Crítica ao Programa de Gotha e Esquerdismo: Doença infatil do Comunismo como clássicos anti-reformismo-marxista; assim como podemos observar crítica implícita em As Tarefas Revolucionárias da Juventude. Todos estes livros citam e fazem críticas à classe reformista da esquerda, com seu papo de modificar por dentro, modificar pacificamente e “a luta pode ser feita pelo voto”. Pois bem, no texto tentarei construir o ensaio de uma crítica aos comunistas que ignoraram escritos e se declaram marxistas-leninistas aos 7 mares, cegamente.

Um exemplo de reformista é a grande “Socialista Morena”, aquela mesmo que em seu livro cita que o “Novo comunismo” tem como objetivo apenas a redução da desigualdade por meio da taxação de grandes fortunas. Um outro exemplo de reformista é aquele que acredita na via institucional, coloquialmente é aquele que pensa que podemos instaurar a ditadura do proletariado por meio do voto, ignorando que os escolhidos pelo povo rejeitam a desaprovação popular de diversas leis; ignorando também que a maioria popular não é a que decide o presidente da maior potência econômica do mundo; ainda ignorando que dos 513 deputados do poder legislativo brasileiro, 36 foram eleitos pela via direta e ainda ignorando que a vontade popular é dificilmente acatada em diversas decisões de um Estado; Como exemplo podemos citar o Novo Código Florestal, com 75% de desaprovação popular, aprovado com maioria esmagadora no congresso e sancionada pela presidente, mesmo com diversas manifestações contrárias, caso a vontade popular fosse obedecida, o Código Florestal de 2011 seria aprovado ?

Ao longo do texto tentarei criticar algumas posições desses que considero falsos marxistas, apenas espantalhos para a manutenção do nosso sistema exploratório.

Pois bem, ao que acredita que o Comunismo é alcançado pela taxação de grandes fortunas, apenas posso afirmar que o Comunismo visa a abolição de uma classe social dominante, visa a redução da desigualdade expropriando meios de produção, instaurando a ditadura do proletariado, buscando acabar com a divisão social que é representada de forma piramidal.

Ainda afirmo que a simplória taxação de grandes fortunas NÃO melhora a condição de vida das classes inferiores da sociedade. A taxação pode reduzir a desigualdade, de fato — isso pressupondo que já não existam aparatos criados pelos grandes milionários para sonegar tal imposto — e, caso bem aproveitado, pode ser combustível para um programa de distribuição de renda ou renda mínima. Porém, o assistencialismo em uma sociedade capitalista visa apenas a manutenção da grande burguesia no poder, em detrimento do proletariado mundial, o que não resolve essencialmente a situação de exploração do proletariado.

Segue uma edição tosca pra quem não entendeu o que Marx queria
Segue aquela edição marota no Paint da divisão social na sociedade comunista

Quando acreditamos que “podemos mudar o sistema por dentro”, pressupomos que o sistema capitalista é moldável pela via política. Podemos citar o maior exemplo empírico de onde o Socialismo institucionalista falhou: Chile, década de 70. Allende era um ótimo socialista, um excelente e grande estadista; respeitado por qualquer socialista que se preze. Porém, ao tentar implantar o Socialismo no Chile pela via institucional, sem alterar a essência da sociedade, bateu de frente com as forças do próprio Estado. Caso houvesse a conquista por meio da revolução, haveria outro exército ao lado do poder — o exército comandado pela vanguarda revolucionária — , onde todas as forças anti-comunistas nacionais já teriam sido dissipadas ou reduzidas à insignificância em termos reais. Pois bem, o que vimos como experiência foi um exército essencialmente conservador, que jurou lealdade ao socialismo e ao mesmo tempo deu condição e apoio a um golpe de Estado liderado pelos Estados Unidos da América, o que causou a morte de Allende.

Quando tentamos implantar o socialismo pela via do voto — sem mudar as instituições essencialmente — , ignoramos que existem forças contrárias ao movimento nacional e internacionalmente, enraizadas nas instituições do Estado que mesmo sob um governo socialista, é essencialmente burguês. O Estado é muito maior que um socialista no poder executivo, existem instituições, forças armadas, outros poderes, dentre diversos outros que são forças contrárias à revolução em potencial.


Outro grande problema que não poderia deixar passar é o fetiche de alguns marxistas-leninistas em conviver com ou apoiar sindicatos.

A análise da condição história cujo resultado foi a criação de sindicatos que negociavam com patrões pelo trabalhador se deu em um momento onde o capitalismo passava por uma renovação, ele criava novas estratégias para coibir ou minimizar a chance da ascenção de um grande movimento socialista. Uma dessas estratégias foi a criação do sindicato, instituição que tecnicamente negocia pelo trabalhador com seu patrão; podem ser negociados carga horária média semanal,salários, direitos, etc.

A problemática dos sindicatos encontra-se quando observamos que ele é apenas mais uma estratégia para manter o trabalhador em estado de aprovação ao sistema capitalista; em pensamento parecido com “Nossa, por que eu iria aderir ao movimento socialista se já existem pessoas lutando por mim dentro do sistema capitalista ?” O sindicalismo trabalha apenas como apaziguador da relação de exploração, onde o explorado se vê protegido pela instituição sindical, porém, continua explorado pelo velho sistema que sempre colocou proletários em situação de detrimento em troca do grande lucro da alta burguesia. Eu de fato não consigo entender o que se passa na cabeça de um marxista-leninista que é líder ou apoiador sindical, seria muito mais produtivo ao socialismo a ascensão de um partido popular, fora da institucionalidade que buscasse de forma didática e amigável a aproximação da classe trabalhadora com o socialismo.

Deixo aqui uma frase para o marxista que não entendeu o quão perigosos são os sindicatos na perspectiva socialista: “O escravo romano era preso por seus grilhões; o trabalhador assalariado está preso a seu proprietário por fios invisíveis. A ilusão de sua independência se mantém pela mudança contínua dos seus patrões e com a ficção jurídica do contrato” Karl Marx — O capital, Livro 1; capítulo 21.

Tal citação talvez possa servir como uma espécie de balde de água fria àqueles que tentam insistir em falhar quando tentam aliar a luta sindical com a luta da emancipação total do proletariado. Colocar o proletariado em situação de exploração com apaziguamento sindical não acaba com a exploração sofrida pela classe.


Ainda cito como grande problema dos nossos amigos reformistas o vício em sempre colocar lutas de minorias (LGBT, feminista, movimento negro, etc) na frente da luta do proletariado.

Lenin, em seu discurso às juventudes comunistas, deixou claro o objetivo da juventude nascida na sociedade comunista. Seus antepassados diretos deixaram em suas mãos o resultado da luta contra a burguesia e instituições burguesas nacionais e internacionais. Agora, Lenin deixava claro que objetivo da juventudes era aprender com a história, com o conhecimento deixado pela sociedade anterior; isso aliado à luta contra qualquer ato que menosprezasse indivíduos por raça ou sexo — Claro que dentro de suas limitações, infelizmente no século XX a homossexualidade ser doença era consenso em toda a comunidade científica — . Quando Lenin afirmava que era papel da nova juventude construir a igualdade de minorias, podemos racionalmente afirmar que a luta pela libertação do proletariado se dá como anterior à luta das minorias, visto que se torna muito mais difícil ascender minorias e promover sua igualdade em uma sociedade que necessita da desigualdade por essência.

Logo, ao colocarmos a luta das minorias na frente da luta do proletariado, afirmamos que estamos promovendo uma luta de minorias em vão — visto que a sociedade capitalista é desigual por essência — e ao mesmo tempo, atrasando a luta de libertação da classe trabalhadora, dividindo a esquerda em um debate interminável entre a heterodoxia e ortodoxia da abordagem socialista.

Fica muito mais fácil tornar minorias iguais na sociedade quando conseguimos acabar com a sociedade que necessita da desigualdade para sobreviver, trocando-a por uma sociedade que essencialmente prega a igualdade social em classe única. Lenin deixou muito claro que esse seria papel das juventudes já nascidas na sociedade comunista, pois essa juventude seria quem deveria fixar o socialismo e a moral comunista nas raízes da nova sociedade.


Claro que devemos repensar a esquerda, claro que nos dias de hoje não apenas no Brasil a esquerda não consegue penetrar nas massas, o que deixa de fazer com que a classe trabalhadora passe a aderir ao movimento socialista.

A dificuldade do movimento socialista em conseguir o afeto da classe trabalhadora se dá pelas grandes estratégias de quem de fato é contra o socialismo; estratégias essas que criam um estereótipo de como funcionaria a sociedade comunista, com falácias acerca do pensamento marxista, dentre outros diversos meios que tentam realizar a manuntenção da classe trabalhadora em sua posição social no capitalismo. Aí que podemos entrar com o novo pensamento de esquerda, uma nova estratégia para atrair a classe trabalhadora, novas abordagens que tragam o movimento proletário — que deveria ser nossa essência — para o lado socialista, fazendo-os perceber o quão perigosa é a atual onda nacionalista e conservadora, que remete outros tempos pré-ditatoriais.

Essa é a reinvenção da esquerda, precisamos manter nossa essência mudando nossas abordagens para/com o trabalhador, assim, poderemos aumentar nossas chances na luta contra os grandes braços da burguesia internacional, que tem como grande temor a ascensão das massas.


Acho que é isso, acredito que isso possa servir como ensaio de uma crítica a essa esquerda reformista que insiste em falhar ao longo do tempo histórico

Repito aos estereotipadores de plantão que não leram o texto que a crítica à nova esquerda NÃO implica que eu seja marxista talvez seja só uma provocação à essa nova galera reformista que eu vejo se declarando comunista ferrenho por aí.