Ontem fui a um show

Uma última vez, ao menos por algum tempo, teve bloco

Estou em final de período. E por mais que soe lugar comum, este está inexoravelmente mais intenso. O ano, de forma geral, tem sido. Um ano incrível: vi shows que sempre sonhei, finalmente me apaixonei pelo meu curso - e outras coisas. Estreitei meus laços com bons amigos, ganhei novas pessoas maravilhosas em minha vida. Da mesma forma, estou passando apertos universitários nunca antes apreciado em minha vida de nerd-primeira-carteira, sofrendo por amores que sequer conhecia, vendo algumas pessoas já queridas se afastar a passos lentos, sentido a carga do labor nos ombros…

Definitivamente, este ano já pode ser classificado como um turning point da minha vida.

Ontem fui num show de despedida: o fim da banda Forfun.

São uns cara do Rio que fazem uma música bacana, com boa história e bons fãs. Eles, juntos a outras bandas — Scracho ❤ — foram responsáveis por grandes coisas em minha vida: colaboraram para minha identidade, selaram amizades incríveis, me deram um lugar quando eu não podia estar mais perdido.

Por coincidência, ou não, Scracho também acabou este ano e também fui ao show de despedida. Foi inevitável que um amigo e eu tornássemos isso uma leituras de nossas vidas: nossa adolescência está morrendo. As bandas que foram parte das nossas vidas — e inclusive ajudou a nos unir nesse rolê louco da vida — estavam se separando. Tudo isso num ano que já estava se mostrando voraz por mudanças.

E então percebi que talvez o cosmos tenha nos arranjado tal desfecho. Quando eu aprendo o significado do amor — e também de seu revés — quando sinto o peso do trabalho, da incompreensão, quando minha vida se torna carregada, adulta, minha juventude definha. Mais uma vez, essas bandas vêm me dar significado e percepção, me fazem rever minha vida e repensar meus caminhos.

Eu não ia ao show de ontem. Duas vezes a faculdade, com seu terrível final de período, se impôs no caminho. Depois o dinheiro se impôs. E, finalmente, eu me impus. Me impus por achar que não fazia sentido tanto sacrifício em nome de uma banda que não ouvia como antes. Tanto sacrifício em nome de algo, que apesar de simbólico, estava no passado.

Entretanto, um ímpeto, um impulso, uma voz — e meus amigos, claro — insistiram. Apesar dos custos físicos e financeiros que essa escolha trouxeram, foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Como antes em suas músicas, Forfun me deu oportunidade de reflexão, de meditação.

Então talvez minha juventude esteja morrendo para que eu possa começar a parte mais importante da minha vida. E talvez eu tema a perda do controle, as incertezas, as feridas. Talvez esteja apavorado. Talvez eu, o homem que nunca saía do centro, chore todos os dias. Basta que pense nas angústias, nos medos, no trajeto, nas cicatrizes. Mas isso é ser adulto, e isso foi tudo que eu sempre quis. Nunca achei que “a vida logo passa, e ninguém vai te esperar” poderia ser tão realista.

Não mudei de ideia. Isso ainda é o que quero. E sou feliz que tenha aprendido a chorar antes disso tudo estar na minha cara. Não espero nada mais disso tudo que uma reflexão, uma compreensão, para que o medo se dissipe um pouco. Talvez até isso seja inútil, mas não posso deixar de apreciar a beleza e tragilidade desta peça.

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