O ciclo da eras

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Meus pés se moviam com velocidade, o solo era úmido em baixo deles, era o sinal de que minha aldeia já estava distante. A urgência habitava em meu corpo, corria sem saber para onde. Eu era novo e veloz. tinha quinze anos, a mesma idade do lendário guerreiro e fundador da nossa aldeia. Correndo, só pensava em como era covarde, com a herança da minha família na mão e fugindo sem a capacidade de ajudar ou proteger, enquanto os Orcs de Gurath, o descendente de um mago de nome Kelek, atacavam minha aldeia. Antes de chegarem a minha aldeia ouvimos os rumores sobre os ataques, não sabíamos por que atacavam. O cansaço tomou conta do meu ser, extinguindo o medo e deixando a decepção.

A visão se turvou um pouco, pontos cinzas piscaram a minha frente. Fitei o arco sem corda em minhas mãos, sua madeira estava frágil e sua cor dourada estava desbotada. Era o talismã da minha família, acreditavam que davam sorte. Lembro de quando pequeno querer colocar uma corda nele e escutar meu pai me chamar a atenção falando que era uma relíquia de mais de quatrocentos anos e que iria nos salvar em momentos difíceis. Eu nunca entendia, queria saber quando poderíamos utilizá-lo para caçar? Se bem… com ele em minhas mãos sentia que poderia o quebrar a qualquer momento. Era como se ele suplicasse por algo. A névoa me abraçava, estava em um pântano. Fiquei estático. Uma gota de suor gelado percorreu minha espinha até sua base, eriçando todos os pelos do meu corpo. Um grito ecoou pelo local. Mais algum morador da minha aldeia teria conseguido escapar? foi o que pensei. Um passo em direção ao grito, um alerta soou. Quando se aproximaram de minha aldeia Gurath fez sua voz encontrar todas as pessoas da minha aldeia, se ele podia fazer isso quais outros tipos de ilusões poderiam ser criadas? Um tilintar chamou minha atenção, uma luz em meio a escuridão do pântano vinha de encontro ao meu rosto. Veloz ela se aproximava em forma redonda parecendo palpável, meu reflexo foi mais rápido que meus pensamentos, acertei a bola de energia com o arco sem corda. Ela se dissipou como uma onda, dissipando também a realidade. Meus pés não tocavam mais o chão, tudo se tornou escuros, trevas profundas e eu caia.

Parecia que havia voltado pra lá, segundos antes de meus pés tomarem o impulso via os olhos azuis arregalados de meu pai , a pressa que teve em catar o arco antes mesmo de Gurath terminar de falar. “ … Espero que estejam cientes de que sou descendente de Kelec e possuo poderes de mago” os cabelos loiros dele balançaram três vezes a minha frente enquanto ele me entregava o artefato e disse apenas com sua voz inesquecível. “Corra filho! Corra Rash!”. Eu corri buscando proteger o arco com minha vida, não sabia porque alguém iria querê-lo, porque atacariam um vilarejo por aquele pedaço de madeira velho. Me sentia frustrado por não conseguir salvar nem isso, a culpa crescia a cada segundo da queda no nada. Eu havia fugido e deixado todos aqueles que amava para trás, para morrer caindo no nada. Se fosse para morrer, seria mais digno eu ter morrido junto com minha família. O abismo parecia sem fim.

Uma poeira se dissipou de forma irregular no chão, parecia que havia sido acolhido como um bebe por alguma força que desconhecia, quando minhas costas encontraram o chão. O impacto esperado seria mortal mas causou apenas um incomodo. Apoiando sobres minhas mãos me ergui. O local que me encontrava era um pedaço de terra em um lugar onde minha maior imaginação não me levaria, busquei alguma coisa em minha mente. Eu sabia algo sobre aquele local e vinha das lendas contadas por meu pai. Seria algum lugar onde o maior guerreiro de minha linhagem e seus cinco amigos haviam ido? Era como uma farpa em minha mente: incomodava. Observava com cautela o relevo, continha ossos humanos e outros que me pareciam ser de animais. Costelas gigantescas, coisas que encontraria apenas nas histórias de meu pai. Foi quando meu olhar encontrou atrás de alguns relevos pessoas, não estava ali sozinho. Outros como eu, estavam desacordado ou levantando. Puxei o ar com vontade para gritar algo e parei bruscamente. Um urro dilacerou meu ouvido, minha mão pressionou o arco. Observei crânios de repteis enormes e finalmente encontrei alguma pista de onde estava sussurrei:
 — Dragões…
Outro urro me fez perde um pouco de equilíbrio nas pernas. O rapaz mais próximo de mim correu na minha direção, seus cabelos negros, olhos transbordando medo e segurava na mão um colar enrolado a pedra de cor branca dava seu brilho, se apoiando em seu pé traseiro ele fez um giro rápido, me colocando como escudo para proteger um perigo desconhecido. Não me importei, Em momentos difíceis se faz necessário ter a coragem pelos outros, mesmo sentindo o medo ribombar em meu peito com o som a me estremecer.

Escutei o urro:

— QUEM OUSA ME PERTURBAR E PROFANAR O CIMITÉRIO DOS DRAGÕES?

Todos que estavam ali buscavam a origem da voz, ela parecia vir de todos os lugares. Uma mulher morena, de olhos cor de mel, se aproximou. Os olhos chamaram minha atenção mesmo em baixo do elmo prateado, possuíam a mesma cor do escudo dela. O centro do escudo havia um círculo preto com uma ave pintada com tinta branca. Ela falava com o menino atrás de mim.

— Eremit…

O chão tremeu, outro urro menor porém mais perigoso:

— Levantem-se e protejam esse local aonde encontraram a paz.

Não compreendi o comando até ver ossos se encontrando, soando como um amontoado de madeira oca, se montando. esqueletos de Orcs, humanos, dragões e outras raças quaisquer que foram parar ali se levantavam. Haviam outros, vivos que tentavam se aproximarem de nós três, vi um paladino das terras de Stronghearth com a barba cerrada e uma capa azul desaparecer no ar. Um esqueleto atacou a minha esquerda eu desviei, a mulher com o escudo protegeu Eremit do ataque. O arco vibrava, a madeira regenerava, sua cor dourada ganhava vida. Ansiei poder utilizá-lo. Comecei o movimento de retesar a corda, algo dentro de mim me motivava ao movimento, senti sobre os meus dedos o fio fino de energia. Quando ele atingiu seu limite uma flecha dourada de energia pulsava, deixei-a voar de encontro a um Orc-esqueleto tentando atacar pelas costas, uma menina de estatura baixa que utilizava um tacape para esfarelar outro esqueleto. O menino que se escondera atrás de mim, fez sua pedra brilhar com algumas palavras e projetou dela uma ovelha de pano, dessas das quais as meninas da minha aldeia utilizavam para brincar e atingiu um esqueleto de forma pífia. O canto da minha boca desenhou um meio sorriso e continuei a atirar flechas, um rapaz que estava se esquivando dos golpes dos esqueletos de forma primorosa, fez surgir da palma de sua mão um bastão. Ele golpeava com vontade e velocidade, pulava, rolava e defendia. Não percebi quando um esqueleto surgiu a minha esquerda, estava perto demais para um disparo de flecha, com a espada levantada em uma corrida desengonçada ele trombou com um muro invisível. O paladino apareceu retirando seu manto azul e destruindo o esqueleto. Eles não paravam de surgir, minha atenção foi fisgada por asas esqueléticas unida a uma coluna vertebral a se conectar com o crânio reptiliano colossal. Mesmos juntos estávamos encurralados. Não havia chão ou caverna para escondermos. Um zunido aumentou nossos problemas. Um dragão vivo sobrevoou nossas cabeças e se pôs ao lado do de ossos. Ele possuía cinco cabeças. A cabeça do meio baforou fogo.

— Se escondam atrás do meu escudo — a mulher de armadura gritou.
Nos posicionamos, como um grande muro o escudo defendeu a todos. Um chiado alertou o ataque com outra cabeça.
 — saiam daqui — Eu gritei.
Um raio ocupou nosso lugar, deixando marcas escutas no chão. Nos dissipamos. Ao tentar reagrupar o dragão de ossos se colocou no meu caminho, do paladino e do acrobata. Olhamos para os outros tentando se posicionarem. Minha mente buscava continuamente sobre as histórias de dragões e ao mesmo tempo focava na batalha, disparei em direção ao crânio do dragão-morto ele se afastou um pouco. As cinco cabeças se viraram para mim, esquecendo os outros três. Atacar o esqueleto parecia afetar de alguma forma o dragão de cinco cabeças. A cabeça branca cuspiu gelo em minha direção, congelando todo o terreno corri para longe dos dois que lutavam junto comigo. Eles entenderam que eu tentaria distrair para nos reunirmos. Parecíamos nos importar bastante uns com os outros, mesmo não nos conhecendo anteriormente. Laços de batalha. Enquanto o chão ia congelando e sentia meus pés começando a ficar congelados, senti um tremor. uma rachadura foi criada, a responsável era a menina do tacape. Pulei sobre a fenda e o gelo seguiu em direção ao interior do solo. Rolei, encostei na pedra mais próxima, meus pés precisavam descongelar. O dragão-esqueleto se aproveitou e me cercou. Olhei através de seus ossos, vi o dragão imponente como um Deus. Eu conhecia aquele dragão. Sabia seu nome. Pulou então de meus lábios:

— Tiamat! Não nos machuque, não sabemos como viemos parar aqui em seu sagrado cemitério.

Ele parecia não me escutar fitando os outros intrusos, os cinco estavam acuados em uma pedra. Defendidos apenas pelo escudo dessa vez ele preparava um ataque fatal enquanto o dragão esqueleto batia suas mandíbulas em minha direção, esperava uma ordem de execução.

— Tiamat me escute, Ó Deusa dos dragões!

Uma voz surgiu em cima da pedra a qual eu estava encostado, de vestes verdes, chapéu pontudo, cabelos e barba castanha. O rosto sereno e os olhos ligeiramente brincalhões, surpreendeu a todos ali, A Deusa olhou.

— Eu os trouxe até aqui Tiamat — o dragão esqueleto se deitou. — Trouxeram alguma das armas criadas pelo cemitério. Vim solicitar também que possamos usá-las uma última vez. Há um mago buscando trazer desequilíbrio para os mundos utilizando a energia das armas. Ele conseguiu o tridente,a maça e a rede. Você sabe o que acontecerá se ele achar o elmo. Ele poderá obter todas as outras de forma fácil. Sozinho não tenho conseguido defender tudo, venho pedir a sua ajuda.

Um portal foi aberto no céu negro, silenciosamente a Deusa se retirou concedendo o pedido. Eu e o homem que possuía um contorno de metal e vidro sobre os olhos andamos até os outros.

— Bela manobra alunos! — Disse empolgado o homem do chapéu verde.

O brilho nos olhos de Eremit era evidente, ele questionou.

— Mestre dos magos?

— Sim — Ajeitou no rosto a armação de meta antes apoiada na ponta de seu nariz.

— O que fazemos aqui? — perguntou a mulher com o escudo.

— As suas armas já estavam sem energia para serem utilizadas, afinal estão a mais de quatrocentos anos paradas. Me acompanhem.

Ele andava em direção ao limite de terra. Íamos atrás olhando uns para os outros, ele então pisou na escuridão. A realidade oscilou e estávamos em frente uma construção enorme. Uma torre. Entramos em uma porta com chifres, subimos algumas escadas. Existiam dois sarcófagos, um com a figura de um chifre e o outro menor com o desenho idêntico ao da pedra do menino de cabelos pretos.

— A jornada de seis jovens que perambularam por todas essas terras buscando como voltarem para casa. Aqui eles decidiram a busca pela liberdade, paz e equilíbrio desse mundo. Abriram mão de suas casas para fazerem a diferença.

— Eu sei! Aqui eles curaram o seu filho! — Eremit, parecia conhecer bastante sobre tudo aquilo.

O mestre dos magos sorriu.

— Isso mesmo Eremit. A muito tempo atrás a história do filho do mestre dos magos como tudo um dia chegou a seu fim. Não estou aqui apenas para contar sobre o passado. Venho pedir ajuda, pois tudo será escolha de vocês.

— Como faremos para encontrar o elmo? — O paladino se adiantou — Ele é a arma mais importante certo?

— Você prestou atenção! Sim, por isso vocês irão buscá-lo primeiro. Caso queiram seguir nessa jornada.

— Como chegaremos lá? — quis saber o rapaz de cabelos encaracolados.

— Sigam o que as aparências não mostram. — apontou para uma rachadura surgindo na parede. O sol nascia.

— E quanto aos nossos familiares? — eu queria saber o que havia acontecido com minha aldeia e se alguém poderia ter alguma informação era ele. Ele havia sumido — Mestre dos magos? Vocês viram aonde ele foi?

— Não vi não mas sei o que Gurath faz com as aldeias — o paladino fez uma pausa — torna os prisioneiros e utiliza a mão de obra deles para construírem o seu império.

— Para onde vamos? — A mulher, que carregava o enorme tacape como se fosse uma pluma, perguntou.

— É um tipo de charada, li nas histórias sobre o mestre dos magos fazer isso com os guerreiros. Quando resolvidos encontramos o nosso destino. — Eremit falou meio tímido.

— Vamos andar, talvez na estrada tenhamos alguma dica — A mulher de olhos mel sugestionou.

Descemos da torre, observamos o dia crescendo. Enveredamos por uma floresta. Caminhávamos nos conhecendo. Me contaram como aconteceu os ataques a seus lares. Descobri que Cirania era irmã de Eremit e o herói de que descendiam carregava o escudo e era rabugento. O paladino era príncipe de Stroghearth, Tinha o nome de Corpotens. A história de sua capa conta que na noite do casamento de uma amiga muito querida do paladino, que deu o nome a cidade, ela entregou a ele a capa falando não precisar mais dela, deu como prova de amizade entre a cidade do paladino e a cidade comandada por ela e pelo marido, que era um arqueiro. Soube também que a aldeia de Denno era andante, eles preferiam se movimentar entre cidades. Se apresentavam sempre, o seu bastão era utilizado como brinco por sua avó sem saber exatamente o que era aquele pedacinho de madeira. A mulher do tacape se chamava Bulm, sua cidade era uma das mais avançadas no quesito magia e o tacape estava em um museu quando ela o resgatou. Ela disse que fazia parte de uma estátua chamada: A criança e seu unicórnio. Escutamos um barulho entre as folhagens um grunhido repetitivo, provavelmente um orc. Corpotens vestiu sua capa e andou em direção ao som.

Voltou e disse que estávamos perto de um acampamento orc, o mestre dos magos nos levou para aquele lugar por algum motivo. Chegamos perto de uma construção em uma pedra, seguíamos um orc de pele verde, capacete com chifres e com correntes nos pés. Nos dividimos, O paladino foi pela escada, construida na rocha que dava acesso a uma entrada superior da caverna, junto a Denno e Bulm. Não haviam guardas, entramos com certa facilidade. Havia carrinhos de metal, os orcs pareciam alheios a tudo, focados apenas na escavação e em encher os carrinhos. Pareciam buscar coisas além dos minérios, um capataz com um chicote de pele com tom verde, muito mais claro que os que estavam trabalhando. Grunhiu ordens e estalou o chicote em um daqueles que trabalhava. Retesei o meu arco, Corpotens apareceu segurando o braço do Orc mais claro, o desacordando com um soco bem aplicado. Bulm bateu no chão com o tacape fazendo todos os ali caírem. Me aproximei do Orc chicoteado e comecei a interrogar ele. Olhando em seu olhos percebi que ele não pertencia aquela raça, havia algo de humano nele. Perguntei aonde encontraríamos Gurath e porque escavavam. Apontou então para um desenho de um elmo, o mesmo que perseguíamos. O orc que parecia ser o mais velho daquele local segurou minha mão com delicadeza enquanto os outros nos olhavam ainda receosos, ele me levou até um baú escondido entre pedras de uma parede. Haviam o escondido da vista de todos os guardas. Tentou falar algo mas não se fazia compreender. Os guardas pareciam ter sidos retardados pelo terremoto causado pela barbara, era como chamavam o povo que vivia em sua aldeia, bárbaros apesar da magia.

O outro cômodo havia homens-largatos e Orcs supervisionando alguns prisioneiros, eles correram para nos atacar, traziam lanças e chicotes. Denno acertou três com seu bastão, acertei uma flecha nos que apareciam ao fundo, Cirania avançava com seu escudo. Eremit conjurou e da pedra saiu uma rajada de água e atordoou a maioria dos guardas, estávamos sintonizados. Peguei um elmo da mão do Orc ancião que tentava me falar algo. Não saia nada além de grunhidos estranhos. Coloquei o elmo em baixo do braço e segui para perto dos meus novos amigos, deixando a tristeza dos olhos daquele ser que parecia suplicar algo.

O lugar em que estavam os guardas havia uma mesa no centro com algum tipo de jogo espalhado, nas celas o motivo da súplica. Humanos sendo transmutados em orcs ou homens-lagartos. Nos entristecemos, pensávamos em nossas famílias, será que Gurath transformaria nossos parentes também? Aquilo me atormentou. Um dos lagartos se movimentava, ainda atordoado. Pisei sobre o peitoral dele fazendo emitir um som de dor. Retesei o meu arco, deixando o elmo cair no chão. O apontei para o rosto dele. Bulm, a barbara se apoiou no meu ombro. Fitei os seus olhos, e de alguma forma eles emanavam perdão. Os soldados ali não eram os culpados! Quem sabe o que o mago havia feito com suas famílias e cidades? Abaixei a guarda, o lagarto pegou o elmo e o lançou com a força que podia. Nas sombras espreitava um dos maiores mensageiros do mal. Uma sombra com asas, totalmente feito de trevas, seus olhos eram brancos e ágeis. Ele pegou o elmo no ar e saiu por uma fresta na pedra, feita para deixar o local iluminado de dia. Minhas sobrancelhas se juntaram, sei quando meus olhos se tornam frios mas a mão de Bulm ainda me mantinha presa aos pensamentos de perdão. Rosnei.

— Aonde fica o castelo aonde Gurath se esconde?

Ele conseguia se comunicar.
 — Ele não esta ssssse escondendo, essspera por vocêssss na torre corrompida dos cavaleiros celestiais.

Abaixei-me e o desmaiei, não tinha a mesma força que Corpotens. Devo ter dado uns cinco socos. Nos retiramos daquele local, a torre com sua ponta quebrada era vista ao longe, eles me olhavam diferente depois de minha atitude na caverna. O silêncio foi incomodo para mim, não sei se eles me julgavam ou se era eu a me julgar. Me senti pesado, não era pra isso que estava ali. Não poderíamos utilizar das mesmas formas escuras para atingir a paz e o equilíbrio. Nós avançamos por uma ponte de madeira, o vento soprava e balançava.

— Não vamos conseguir — Eremit, tremia com o vento batendo em suas roupas pretas com adornos dourados.

— Vamos sim irmão, confie. — Cirania o motivava. O rapaz travou, o vento piorou. A corda da ponte arrebentou.

A queda nos fez encontrar com o paredão, o menino não se segurou direito e caiu. Alguns segundos a menos e ele se encontraria no fundo de um abismo. Peguei ele em queda, segurei com força. Subimos com dificuldade, Eremit se mantinha calado. Assustado. A torre abriu seus portões, convidava a todos nós para irmos até lá.

— Vamos mesmo entrar ai? — O medroso manteve suas convicções.

— Por que exita meu pequeno? — O homem de chapéus verde e pontudo, aparecera do nada. — Não tema, vocês estão aqui porque quiseram e o mundo precisa de vocês. Você é capaz meu pequeno.

— Gurath está com o capacete — O paladino sempre era direto.

— Eu sei grande paladino, terão que ter cuidado pois ele é a arma mais poderosa. — Ajeitou o objeto em seu rosto — porém nunca foi utilizado.

— Como ele poderia reunir todas as nossas armas apenas com essa? — Cirania questionou. Perscrutamos oportunidades de informações.

— Ele traz a tona a necessidade de cumprir o desejo mais escondido em seu coração.

— Vamos, temos muito trabalho para fazer — Denno estava preocupado, não conseguia se manter parado.

Entramos, escadas espiraladas contornavam uma grande coluna central com o busto, aos poucos identifiquei a escrita a baixo da estátua. “Kelec, O grande mago”. Subimos as escadas.

— Sejam bem-vindo meninos! Espero que tenham trazido meus presentes, pois eu já carrego meu chapéu de aniversario. A escada deu em um salão com exatas seis portas.

— Vamos nos dividir? — Perguntei a todos

— Não devemos fazer isso — disse Bulm.

— Eu não vou sozinho para lugar nenhum — Eremit foi resoluto.

— E como vocês encontrarão o seus maiores desejos? — A voz de Gurath novamente.

Uma das portas se abriu e dentro dela meu pai estava amarrado, me olhando com olhos esbugalhados. Dei um passo para frente. Uma parede surgiu entre eu e meus novos amigos, os outros também foram divididos pelas paredes. Uma névoa encobriu a sala, andei em direção a figura de meu progenitor. Sempre que me aproximava uma força o afastava em um momento ele foi levado pela força por uma escada. O meu chão começou a sumir, corri em direção a escada. O que ele queria com aquilo? Segurei o arco com força e mesmo eu caindo ele não conseguiria minha arma. Não corri rápido o suficiente despencando então em direção a outro lugar, puxei a corda do arco e atirei o mais alto que pude. A luz revelou a ilusão, eu já estava no chão de uma sala aonde havia uma caixa de vidro esperado algo ser depositado nela. Andei em direção para avaliar, um burburinho vinha de algum lugar. Abafado como um som de alguém gritando em uma caverna distante. Na outra extremidade da sala um orbe estava coberto por um pano, lilas. Ao retirar o pano vi cada um dos meus companheiros sendo expostos aos seus maiores medos. Não me cabe falar aqui quais eram, acredito que seja particular de cada um. Gurath me tentou.
 — Deixe seu arco na caixa que eu posso, livrar eles de todo esse mal.
Cheguei a pensar por um instante, meu orgulho pedia pra não entregar, porém a culpa que carregava de quase ter matador outro ser, quase me tornado tão baixo quanto aqueles que buscavam o mal. Depositei o arco na caixa e a ilusão foi de fato dissipada.

Gurath tinha todas as armas em suas mãos, todos nós escolhemos o lado correto. Previsível.

— Muito obrigado garotos, me pouparam um encontro com Tiamat e agora só faltam duas das armas. Falta apenas uma coisa que não conseguiria se tivesse que usar o elmo para pegar as armas. — disse retirando o elmo da caixa de vidro.

Ele estava sentado em um trono, que ficava ao fim de uma escada de dezessete degraus. Dez homens-lagartos apontavam as lanças para nós seis, nunca pensamos em desistir de lutar. Trocamos olhares. Denno correu em direção ao lagarto que tentou estocar, Corpotens e Cirania combinaram em uma investida. Bulm pisou no pé de um dos lagartos. Eremit fez o mesmo. Vi uma lança caír. O paladino e a mulher de armadura derrubaram cinco. O rapaz de cabelos encaracolados fazia suas acrobacias confundindo os outros oponentes. Gritei para ele, queria Jogá-lo em direção ao mago Gurath. Ele apoiou seus pés em minhas costas ganhando impulso em direção ao mago. O mago o congelou no ar.

— Tolos, vocês acreditam mesmo que poderiam me atacar sem suas armas…

Ele parou de falar, acertei o seu elmo com uma das lanças que peguei dos guardas. Corri em direção ao artefato que despencava em direção ao solo. Rolei. Peguei-o no ar, coloquei ele na cabeça e de todo o meu coração desejei que todos aqueles maltratados por Gurath fossem libertos. O capacete se esfacelou sobre mim. Meu desejo se realizara, os soldados que nos atacavam eram humanos agora. Ele se enfureceu juntou a energia das outras armas em sua mão. Quando ele ia nos obliterar, um portal se abriu no meio do salão e de dentro dele surgiu A Deusa dragão. Ele gaguejou e correu para a parede do trono, atirou a energia criando um rombo na parede. Um ataque de fogo foi feito pelo dragão, Gurath se teleportou deixando todas as armas caírem. Vimos pelos vitrais do teto ele fugir voando montado em um cavalo negro. Tiamat içou voo atrás dele, Quebrando todo o teto enquanto buscávamos nossas armas.
 — Não há quem, desrespeite a Deusa dragão — Disse o homem de barba castanha e roupas verdes.
 — Mestre dos magos! — Soamos em uníssono. Ele sorriu.

— teremos que recuperar as duas armas que ele esta levando mas por enquanto podemos descansar, até vermos o resultado dessa perseguição que vai durar dias.

O ciclo se renovava. Eu e meus amigos tentando voltar para o lugar de onde fomos retirados, pelas circunstancias, como nossos ancestrais.