David Foster Wallace, Julian Barnes e a Sister Morphine

O sentido de um Fim — Julian Barnes, 2011 — corre na contramão das verdades que julgamos ser de verdade. David Foster Wallace, complexo e simples teve o poder de parecer ser a pessoa que fala comigo dentro da minha cabeça (esta mágica é citada em várias sinopses relacionadas a ele).
Estas obras parecem apresentar a vida em tons de cinza aveludado. Apontam para um algo em comum. Aquilo que você não sabe como fazer, assim como sabe bem que tem que fazer.
O que somos diante da multidão que achamos existir — mas que na verdade não existe.
Difícil.
Fácil.
Viver é duro mesmo — quanto mais longe de minha primeira memória, mais perto da mentira pareço estar… Tudo se mistura. São sensações. Sentir fome, sono, dor, recalque, amor, paixão, ódio, felicidade é uma mistura de coisas que muitas vezes parecem um sanduíche enorme, desses que a gente come quando estamos famintos e talvez lembremos somente do gosto da maionese ou, do bacon. Mas tudo bem. Tudo passa. A fome sempre volta.
Odeio ficar tentando escrever respostas (nem é esta a intenção) — talvez isso aconteça por que li muito Paulo Coelho na adolescência — não que eu o ache um autor ruim — mas talvez eu o tenha levado a sério demais…
- Aquilo que todos pensam (quando pensam demais) sobre mim, provavelmente não faz nenhum sentindo para eles — muito menos para mim.
- Um fim (qualquer um: de namoro, do trabalho, do carnaval) é um cálculo cheio de curvas e equações onde a dor é protagonista.
- A dor não precisa necessariamente ser ruim.
- Demora um tempo para controlarmos um pouco o nosso ego.
- Nosso ego pode estragar quase tudo.
Sempre pensei qual seria a função de escrever algo. E por muito tempo pensei que eu deveria ser um gênio ou algo perto disso para… (também fico de um jeito ou de outro saindo pela tangente, para justificar a minha falta de coragem para algo).
O título acima não tem intenção nenhuma de fazer um tratado sobre estes autores ou relacionar as obras e a música do Stones. A intenção aqui é bem simples.
Escrever.
Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo e O sentido de um Fim, foram as obras que me acompanharam nestas últimas semanas. Ainda estou um pouco em êxtase (vai passar), sobre como estes autores acertaram de um jeito muito direto, o sentimento de nossa geração. E como eles apontam para a verdade da vida: A de que é mais fácil ser triste do que feliz (e claro, sem que uma antagonize a outra).
Eles nos lembram que somos comum, que temos os mesmos aspectos, que mudamos somente aquilo que queremos mudar. Que viemos do cinza e que iremos para ele. E que acima de tudo, está tudo bem, pois não existem somente 50 tons. Nem de cinza, nem de vidas.
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Este é meu primeiro texto publicado na rede. Gosto da filosofia das coisas que não pensam. Espero continuar aparecendo por aqui.