10 coisas pra quem não admite que alguém pode não ter interesse
Semana passada escrevi aqui sobre a possibilidade de colocarmos em ação o nosso poder de escolha diante de relacionamentos que, ainda em sua fase inicial, com o perdão da expressão, não fodem e nem saem de cima. Em resumo: a gente sempre pode olhar no espelho e “vou fazer outra coisa porque ganho mais” e “eu sou melhor do que isso”.
Então, ontem, passei por esse texto aqui. Bem intencionado, mas que patina em duas questões: a) duvidar que alguém com quem estamos nos relacionando de alguma forma pode, de fato, não ter o mesmo nível de interesse que a gente nessa relação; e b) ignorar a nossa agência sobre a própria vida.

Com todo respeito a autora, a quem não conheço, tomei a liberdade de apontar outras questões em cima daquelas levantadas por ela. Seguem:
1 — “Você pode estar perdendo experiências incríveis para manter uma aparência”:
Então o ponto não é bem ESTAR interessado ou não, é PARECER. Porque, como assim você não está só fingindo que não se interessa? Como assim alguém pode realmente não se interessar por mim? Pois, olha, sinto muito, as pessoas podem sim não nos enxergar como floquinhos de neve especiais. Acontece.
2 — “Responder mensagens em tempo hábil não é sinal de carência. É uma questão de educação”:
De acordo. Mas, as vezes, a gente tem algumas outras coisas pra fazer antes disso. Quem nunca postergou uma resposta, as vezes até pra própria mãe?
3 — “As vezes a gente só quer saber se você está bem”:
O gesto é bonito. Mas a gente não controla a reação do outro, né? E se somos ignorados com frequência, talvez o melhor seja mesmo fazermos outra coisa.
4 — “Estamos ficando meio velhos para perder tempo com joguinhos”:
Também estamos velhos pra perder tempo com quem não está na mesma sintonia que a gente. Eventualmente, nos esquecemos disso.
5 — “É muito legal perceber como uma demonstração de afeto muda o dia de outras pessoas”:
Sim! Demonstração de afeto é algo super especial. Principalmente quando genuína e espontânea, nunca feita por alguma espécie de obrigação.
6 — “Parecer desinteressado não é descolado”:
“Parecer” ou “não estar”? Porque, novamente, é sempre bem possível que estejamos nos envolvendo com alguém não só não pareça ter interesse como, de fato, não tenha interesse.
7 — “Não faça para os outros o que você não gostaria que fizessem com você”:
Um ditado de mão dupla: não faça pelos outros o que você não faz por si. Amor próprio e tal.
8 — “Se todo mundo fosse nem aí seria impossível se relacionar”:
Ia ser difícil mesmo. Porém, um mundo inteiro de gente nem aí é só uma falácia do espantalho. A gente sempre pode procurar por alguém que de fato se interesse, como o próprio texto original indica no ponto seguinte.
9 — “A pessoa mais fofa também se cansa. Existem outras pessoas mais dispostas no mundo”:
SIM!!! Verdade incontestável! E a gente sempre pode ir atrás delas ao invés de mendigar atenção de quem não nos quer — ou, se preferir, de alguém que aparenta estar “fingindo desinteresse”.
10 — “A vida é muito curta para fingir que você não se importa”:
A vida é muito curta, de fato. Inclusive pra gastarmos nosso precioso tempo com quem parece estar fingindo que não se interessa. É sempre bem possível achar alguém que não só se interesse como deixe isso bem claro.