A minha avó quer saber porque as pessoas partilham coisas no facebook.

Não sei, avó.

É uma coisa de época. Tiramos fotografias do que comemos, partilhamos frases para dar recados (que nunca faríamos na vida real), dizemos que gostamos de muita coisa apenas porque sim (e até porque ninguém nos perguntou) e fazemos comentários a notícias idiotas para depois interagirmos uns com os outros.

É uma coisa de época.

Deixamos que as aplicações utilizem informação particular, lemos muita coisa, aprendemos coisas que nem te passam pela cabeça (nem pela nossa passava) e sacamos muitas coisas para um dia olharmos melhor para aquilo.

Um dia…

Todos os dias ligamos os nossos computadores, telemóveis e tablets com a desculpa de estarmos a trabalhar. Mas no fundo é como fazes com a televisão, muitas vezes apenas pelo barulho de fundo. Talvez passemos mais tempo com notícias positivas e histórias inspiradoras, só que passadas umas horas estamos envolvidos nos mesmos assuntos pequenos de ontem.

“… muitas vezes apenas pelo barulho de fundo.”

Ou então é uma vontade grande que temos de “aparecer”. Afinal somos da geração que cresceu com o cinema e todos gostamos de ter alguma visibilidade e assim pegamos em tudo o que são migalhas da existência e damos uma nova dimensão.

E às vezes achamos isto tudo muito cansativo e escrevemos sobre isso. Para quê? (perguntas com muita pertinência) Para alguém ver, alguém partilhar, alguém (algures) se identificar e rir um pouco dos nossos dias de formiga.

Enchemos as mesas da vida social e olhamos freneticamente para os nossos telefones; mesmo assim comunicamos. E em alguns momentos até tocamos em pontos que valem a pena ser tocados. E muitas vezes tropeçamos em pedaços de informação que realmente nos mudam. E, e, e, e, até somos capazes de ter esperança de sermos um pouco mais do que pensávamos inicialmente.

Ontem li sobre um rapaz que acorda todos os dias às 5 da manhã e tem uma produtividade brutal. Vê lá que quando chega às 9h da manhã já fez um pequeno almoço fantástico para a família, leu, meditou e fez exercício físico! Eu hoje às 9h da manhã ainda estava a tentar ignorar o despertador e depois fui menino para estar às voltas com o programa de faturação porque o curso superior não me preparou para lidar com problemas de bases de dados.

E em alguns momentos até tocamos em pontos que valem a pena ser tocados.

Sabes avó, a internet tem de ser vivida. Toda esta tecnologia aplicada. Todas as opções exploradas. Isto para conseguirmos perceber que há coisas agora muito giras, que podemos racionalizar mas que perdem a piada se o fizermos.

Um dia quando for avô e se alguém me quiser ouvir contarei muitas histórias deste início de século XXI e de como acreditei ser possível usar a internet para pensar coisas giras (que de outra forma nunca faria).

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