Vivência do Sagrado Masculino — Felipe Silva
Esse sábado e domingo (22 e 23) participei da vivência do Sagrado Masculino, facilitada pelo Fabio Manzoli. Eu gostaria muito de compartilhar tudo que vivi nesses dias, mas é completamente impossível fazer isso por palavras. Bem clichê falar isso de vivências, mas nunca vivi algo tão indescritível a esse nível.
Já fiz algumas vivências espirituais. Li relatos de outras tantas. A graça é sempre nunca estar preparado para essas vivências. Gosto das que as pessoas dizem apenas: “Mudou minha vida”.
Quando eu vi a primeira publicação dessa vivência pelo Tanaka, eu já sabia do poder que havia naquilo. Bastou eu ler “Sagrado Masculino”, e senti uma energia muito boa. As palavras amor, homem e sagrado não costuma se juntar. Poucas coisas são mais disruptivas do que juntar essas 3 coisas. Acredito, hoje, que nada é mais disruptivo do que isso.
Foram 11 corajosos homens nessa empreitada de auto cura, aqui em Salvador. Antes de começar, pensava que dois dias não seriam suficientes para entregar uma cura satisfatória. O Fabio colocou para nós que aconteceriam respirações, meditações e partilhas. Das minhas experiências anteriores com essa ferramentas, eu não havia experimentado uma transformação em tão pouco tempo.
Mas acontece que o trabalho do Sagrado Masculino é bem diferente. É um campo de mandinga fortíssimo. Eu não tinha a mínima ideia do que me aguardava.
A primeira manhã já foi bem forte. A respiração foi bem prazerosa para mim, a Bhastrika. Posteriormente, tivemos uma partilha do que surgiu. Fiquei como o último da roda a partilhar minha experiência. Me surpreendi com a verdade e o sentimento de cada relato antes do meu. Muitas dores colocadas, mesmo que com certo pudor. Na minha vez, não senti algo tão doloroso para colocar. Coloquei aspectos difíceis da minha história, mas que não me causavam sofrimento. Agradeci por revisitar essas partes da minha história. Revivi momentos da minha pós adolescência, quando tive o contato com o livro Um Curso em Milagres. Foi uma grande virada no meu Ser, onde pude me libertar de muitas dores e acessar a consciência crística com limpidez. O dia prosseguiu e nós também. Aos poucos íamos nos tornando mais íntimos em nós e entre nós.
Começamos o domingo com a Bhastrika. Dessa vez a cura se intensificou. Senti um grande apoio, envolto por muita, muita, muita força e amor. Foi um trabalho lindo, de todos nós. Houve uma entrega muito profunda do grupo. Meu coração começava a se abrir de uma maneira incrível. Me senti frágil, vulnerável. Me marcou muito o relato de um anjo sobre o asco de carregar máscaras que ele criou para não ser ele mesmo. Foi lindo.
Antes do almoço, outra dinâmica de cura bem forte. Liberei muitas coisas que não me serviam mais. Não me apeguei, apenas soltei. A cada dinâmica que se desenrolava, mais contato comigo mesmo eu ia tomando, e me envolvia com beleza, suavidade e amor. No último trabalho, eu pude experimentar escutar e ser escutado por um querido lobo. Ao ser escutado, me senti o meu próprio pai. Foi mágica e muito emocionante. Chorei muito. Estava entregue, nú, aberto. Uma grande revelação surgiu para mim, junto a um reconhecimento do maravilhoso pai que eu tenho. Sou muito honrado e peço para nunca esquecer de quem é o meu pai, seu Carlos!
Todos os relatos, guardarei para sempre em mim. Farei o meu melhor para honrar a todos os irmãos, que do fundo de sua alma preencheram nosso Sagrado Masculino.
Seguimos com um lindo baile. Cirandamos, abraçamos, sorrimos, perdoamos, amamos, beijamos, agradecemos.
Sinto que eu mudei. Mudei e não quero mais voltar. Acessei uma profundidade antes nunca acessada, de uma capacidade criativa bem forte. Já comecei a rever rumos, projetos e relações, para torná-los mais significantes diante dessa nova perspectiva. E assim sigo, pedindo proteção e apoio para trilhar o caminho de cura do meu ser.
Escrito por,
Felipe Silva
