Em ano olímpico, paratletas conquistam espaço

Participação feminina é crescente e Curitiba terá representante nos Jogos Paraolímpicos do Rio 2016

Troféus das atletas mulheres ocupam espaço na Associação de Deficientes Físicos do Paraná (Foto: Maria Fernanda Mileski)
Reportagem: Maria Fernanda Mileski | Edição: Helena Salvador

Os Jogos Paralímpicos de 2012 representaram para o Brasil um marco histórico da participação feminina. De acordo com o Comitê Olímpico Brasileiro, dos 182 competidores, 67 eram mulheres, o que representou a maior presença delas na história da competição. Ainda sim, o número de homens é superior, o que vale para várias disputas esportivas. Neste ano, os Jogos Paralímpicos contarão com nomes já consagrados do esporte feminino brasileiro, mas também com uma atleta curitibana que já garantiu sua vaga na competição.

Mesmo participando da competição mundial desde a sua criação, a presença de mulheres nos esportes paraolímpicos ainda é pequena nas várias modalidades. Neide Caetano de Araújo, coordenadora do Instituto Reagir — entidade que busca promover a reabilitação de pessoas com deficiência por meio do esporte, diz que não é fácil achar mulheres para atividades paraolímpicas. Dos 30 atletas atendidos pela ONG, apenas 6 são mulheres. “No vôlei sentado por exemplo, temos uma seleção masculina, mas não achamos mulheres para fechar uma equipe”, completa.

A baixa adesão de mulheres é decorrente de diferenças históricas e sociais que se aplicam também ao esporte paraolímpico. Em virtude disso, a procura feminina para as modalidades esportivas é pequena, relata a Coordenadora de Projetos da Associação dos Deficientes físicos do Paraná, Shirley Sanches Yaegashi. Ela percebe por meio do seu trabalho que, pelo receio em se machucar durante a prática esportiva, as mulheres preferem buscar na associação outros serviços, como o mercado de trabalho.

Apesar desse cenário, o aumento de mulheres no esporte mostra que o cenário tem possibilidades de mudança. Confederações esportivas têm investido em artifícios e incentivos em busca de esportistas paraolímpicas. Além disso, aquelas que estão se consolidando no esporte querem maior espaço e reconhecimento pelas suas potencialidades. “As meninas que entram no esporte tem uma personalidade muito forte, buscam aquilo que elas querem”, argumenta Shirley.

A curitibana confirmada nos Jogos

O Paraná já tem representantes confirmados na Paraolímpiada. Segundo informações da Secretaria Estadual de Esporte Paralímpico, são 6 atletas contemplados com a Bolsa TOP Talento Olímpico do Paraná, auxílio destinado a atletas credenciados a participação dos Jogos 2016. Dentre estes atletas, duas são mulheres: Márcia Menezes do halterofilismo e Mari Santilli da canoagem de velocidade.

Mari Santilli é a única curitibana confirmada para os Jogos do Rio até o fechamento dessa reportagem, e atualmente está treinando em São Paulo. A curitibana se diz muito feliz com a convocação para as paraolimpíadas. “Participar da competição, sabendo que este é o ano que a paracanoagem está entrando é histórico. Vai ser no Brasil, por isso o gostinho especial”, diz. Ela ainda conta que a presença feminina na canoagem não é grande, mas acredita que isso se deve ao fato de o esporte ser novo nos Jogos Paralímpicos. A equipe da qual participa tem 3 mulheres e 6 homens.

Como surgiram os Jogos Paraolímpicos

A inclusão de atletas com deficiência nos Jogos Olímpicos surgiu quando militares amputados durante a Segunda Guerra Mundial, que utilizavam o esporte para a reabilitação pessoal, reivindicaram o direito de competir. Com o objetivo de acolher estes soldados, um jogo independente das olimpíadas foi criado em 1948 — já com a participação de mulheres competindo. Somente no fim da década de 80, com a criação do Comitê Paralímpico Internacional é que os Jogos Paralímpicos foram definidos. Desde então, mulheres e homens de 150 países competem em categorias separadas ou mistas.