Iniciativas públicas promovem ações de acessibilidade no Paraná

Curso de Libras gratuito e fotos com audiodescrição contribuem para a efetivação do Estatuto da Pessoa com Deficiência

Alunos do Curso de Libras da UFPR. Audiodescrição: pessoas em pé na escadaria do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná. Foto: Divulgação
Reportagem: Bruno Caron e Bruno Coletty Edição: Anna Sens

A luta das pessoas com deficiência pela inclusão social ganhou um novo capítulo em julho do ano passado, com a publicação da Lei Federal n.º 13.146, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência. Essa lei, entre outros aspectos, trata dos direitos fundamentais e das tecnologias assistivas que as pessoas com deficiência têm garantidos, bem como da acessibilidade, que é o direito à plena participação social e a viver de forma independente. O governo do Estado do Paraná e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão implementando ações que visam promover a acessibilidade.

Na UFPR as aulas do curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras), ofertado gratuitamente pela instituição para a comunidade interna e externa, começou no dia 02 de abril. As turmas são de nível básico, intermediário e avançado. O Estatuto da Pessoa com Deficiência assegura um sistema educacional inclusivo, em que o surdo possa usufruir de todos os serviços e oportunidades que a universidade tem a oferecer. Mas para isso se concretizar, não basta apenas a boa vontade de alguns. Para o tradutor e intérprete de Libras da UFPR, Anderson Spier Gomes, é necessário deixar a ideia de “ajudar o surdo” e promover a acessibilidade, em que os cursos tenham secretários bilíngues e o surdo possa contar com um tradutor e intérprete de Libras, não só nas aulas, mas também em reuniões e espaços de participação estudantil.

No final de 2014, o Governo do Estado do Paraná começou a disponibilizar audiodescrições de suas fotos em sua página do Facebook. Essa iniciativa permite que os cegos compreendam as imagens publicadas. É necessário apenas o auxílio de um software leitor de tela instalado no computador ou celular para que a ferramenta de audiodescrição seja efetiva.

Segundo Cristina Alessi, assessora de comunicação do Governo, que começou a implantar a ferramenta, foi constatado que deficientes visuais solicitavam descrições das fotos nos comentários das postagens. “Entramos em contato e entendemos quais eram as melhores práticas, falamos com ONGs e profissionais que trabalham diretamente na causa e transformamos a audiodescrição em uma rotina”, relata Alessi.

Uma dessas solicitantes era Débora Kakol, deficiente visual, que acompanha as páginas do Governo desde antes da implantação das audiodescrições. “Esse sempre foi o meu sonho, não só pro Governo do Estado, mas pra todos os órgãos públicos. Porque quando você posta uma foto, você precisa passar pra nós, cegos, o que quem enxerga olha naquela foto, com detalhes ao extremo”, comenta.