Setembro Verde: sensibilizar a população
Objetivo do Setembro Verde é promover a sensibilização da população e mostrar para todos o potencial das pessoas com deficiência, levando em consideração as suas especificidades.
Por: Patrick Ferreira

A capital mineira receberá durante todo o mês de setembro uma programação ampla e diversa que atenderá pessoas com deficiência. A Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania, promoverá uma série de ações com o objetivo de colocar em foco a acessibilidade. Entre outras atividades, o evento contará com práticas esportivas, oficinas de artes e rodas de conversa. Ao todo, 16 projetos serão apresentados ao longo do mês. A iniciativa faz parte do Setembro Verde, mês dedicado a visibilidade das pessoas com deficiência. Na série de reportagens “Desafios e possibilidades de inclusão”, o jornal Contramão traz uma entrevista com o diretor do Núcleo de Pessoas com Deficiência, da Prefeitura de Belo Horizonte, Luiz Vilani.
Jornal Contramão: Como foi o processo de idealização do evento?
Luiz Vilani: A Prefeitura de Belo Horizonte realiza desde 1995 a Semana da Pessoa com Deficiência, como um importante marco de promoção dos direitos das pessoas com deficiência em nosso município. Ao longo desse período, a semana demarcou as mais diversas reivindicações em setores estratégicos do exercício cidadão, buscando sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre seus direitos e sobre as necessidades de promoção de ações e mudanças de atitudes que pudessem garantir às pessoas com deficiência o pleno exercício de sua cidadania em igualdade de condições com as demais pessoas. O Setembro Verde foi idealizado como uma estratégia de fortalecimento das ações realizadas, buscando-se trazer maior visibilidade e envolver, cada vez mais, as pessoas com deficiência como protagonistas na elaboração e execução de toda a programação. A proposta do mês de setembro é fazer ações com as pessoas com deficiência, e não para elas, visto que o objetivo maior é a sensibilização de toda a população, ou seja, mostrar para todos o potencial de cada segmento da deficiência, bem como elucidar para a sociedade as transformações necessárias para concretizarmos o ideal de uma cidade inclusiva. A este respeito, definiu-se a simbolização por meio da cor verde em alusão ao Dia da Árvore, mas também reconhecendo a cor azul, representada por detalhes das folhas azuis na logomarca alusiva ao Mês da Pessoa com Deficiência, buscando-se destacar o movimento de luta das pessoas surdas em função do Dia Nacional do Surdo, dia 26 de setembro, que é simbolizado pelo azul, mesma cor associada ao movimento de conscientização sobre o Transtorno do Espectro do Autismo.
JC: Na programação temos eventos de educação. Vocês acreditam que as redes pública e privada de ensino conseguem atender de modo satisfatório as pessoas com deficiência?
Luiz: A educação inclusiva é um movimento internacional sem precedentes. O fato da legislação hoje garantir o acesso de todos à escola, é fruto de muita luta e pesquisas internacionais. O convívio direto das diversidades, implica por si só numa transformação social. Muitas pessoas, em sua trajetória escolar, não teve a oportunidade, para não dizer o privilégio, de conviver com as diferenças e aprender mais sobre as potencialidades das pessoas com deficiência. Essa realidade impôs à sociedade diversas barreiras, pois não se pensava a cidade para todos. Se tivéssemos convivido com pessoas com deficiência em nossa formação, com certeza diversas gerações de engenheiros e arquitetos que hoje planejam as cidades de todo o mundo, estariam atentos para não criar novas barreiras. Isso vale para qualquer que seja a formação profissional, pois saberíamos adotar as medidas necessárias para eliminar barreiras e promover o acesso a todos os bens e serviços numa perspectiva de atender aos preceitos do Desenho Universal, ou seja, para todos! Logo, reconhecemos significativos avanços, mas ainda temos grandes desafios pela frente, as experiências pedagógicas ainda são consideravelmente recentes e temos muito a aprimorar, bem como ainda temos necessidades de qualificar as escolas com a devida acessibilidade e tecnologias assistivas que permitam cada vez mais a plena inclusão de todos.

JC: Sobre o dia escolar paralímpico, os alunos participantes recebem alguma orientação nas escolas ou em alguma instituição para estes esportes? De que maneira é feita a inclusão através do esporte?
Luiz: O Dia Escolar Paralímpico é uma iniciativa da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio do Programa Superar da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, juntamente com o Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE) da EEFFTO/UFMG, que atenderá 200 pessoas com deficiência, 50 alunos de cursos de Educação Física e 30 profissionais do Programa Superar, as possibilidades metodológicas de alunos com deficiência participarem efetivamente de atividades, bem como de terem experiências com modalidades paralímpicas. O esporte paralímpico, e as diversas modalidades paradesportivas são conteúdo da nossa história cultural de movimentos e, portanto, devem ser abordados para todos. Realizado no dia 22/09 — Dia do Atleta Paralímpico, a programação do Setembro Verde traz, paralelamente nesse mesmo dia uma atividade promovida pelo Comitê Paralímpico Brasileiro em parceria com a PUC Minas, o Festival Paralímpico Escolar.
JC: Belo Horizonte possui capacitação de profissionais como, por exemplo, Libras, Braille e outras formas de acessibilidade, para melhor atender surdos-mudos?
Luiz: Diversas entidades parceiras do Setembro Verde, como a Confederação Brasileira dos Surdos — CBS, a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos — FENEIS e Associação dos Surdos de Minas Gerais — ASMIG promovem cursos de Libras em nossa cidade. Entretanto, as demandas dos serviços públicos têm se tornado mais frequentes e intensas, a este respeito, a Subsecretaria de Gestão de Pessoas da Prefeitura acabou de realizar um processo seletivo interno para seleção de profissionais habilitados para realizar cursos de Libras para os servidores. Sabemos que o domínio de uma segunda língua não é algo simples e fácil, e requer empenho e dedicação dos servidores, sendo necessário conhecermos melhor as demandas, os recursos disponíveis e boas práticas que vem sendo promovidas por determinados setores da prefeitura, para que possamos elaborar um planejamento específico a este respeito. Nesse sentido, a Roda de Conversa sobre Acessibilidade Comunicacional que será realizada no dia 05/09 de 14:00 às 18:00 no Museu Abílio Barreto, tem justamente esse intuito. Especificamente sobre o Braille, a Secretaria Municipal de Educação dispõe de estruturas específicas para o ensino do Braille em salas de Atendimento Educacional Especializado. Além do mais, o Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP-BH) oferece transcrição em braille, capacitação para uso de computadores, softwares apropriados e produção de materiais.
JC: Para vocês, qual o legado o Setembro Verde pretende deixar para Belo Horizonte?
Luiz: O maior legado será a sociedade incorporar os princípios e propósitos trabalhados neste mês para somar esforços nas adequações necessárias para promovermos uma sociedade inclusiva. Intensificamos as ações no mês de setembro, para sensibilizar e conscientizar cada vez mais a população sobre a temática, mas esperamos que cada iniciativa possa se tornar rotina de toda a cidade ao longo de todos os dias.
A programação completa do evento pode ser encontrada em: https://prefeitura.pbh.gov.br/index.php/smasac/setembro-verde