Entrevista com a Psicóloga Ana Paula, estudiosa no Museu de Imagens do Inconsciente

Jornal Nise da Silveira
Nov 6 · 13 min read

No dia 18 de Agosto de 2019, o Centro Estudantil de Psicologia da USP-RP realizou a palestra “A aposta na Arte como um caminho nas Instituições de Saúde Mental”, dentro do ciclo de palestras da Semana da Psicologia. Foi por meio dessa palestra que a equipe do Jornal Nise da Silveira conheceu um pouco do trabalho de Ana Paula de Oliveira Medeiros, uma das estudiosas e admiradoras do Museu de Imagens do Inconsciente. Desde sempre encantades pela temática apresentada pela palestrante, uma vez que a fundadora do Museu também é a musa inspiradora que dá nome ao nosso jornal, não podíamos deixar a oportunidade dessa entrevista passar. Além disso, essa entrevista também celebra os 30 anos da Reforma Psiquiátrica no Brasil, comemorados esse ano, e tenta ser mais uma expressão de resistência em meio a propostas políticas que tentam retroceder as conquistas tidas pela reforma.

Agradecemos imensamente a disponibilidade da Ana Paula de Oliveira Medeiros, que nos cedeu alguns de seus preciosos minutos em Ribeirão Preto e aceitou participar dessa entrevista tão surpresa pela oportunidade quanto nós que a entrevistávamos. Tendo uma grande generosidade para com o nosso jornal nos fez refletir muito a respeito das temáticas: “loucura” e “arte”. Esperamos que também faça nosso público refletir!

Um pouquinho da história do Museu de Imagens do Inconsciente….

Em 1946, a psiquiatra Nise da Silveira, ao ser contrária às formas psiquiátricas de tratamento da época: eletrochoque, lobotomia, coma insulínico, entre outros…cria, no Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro, a Seção de Terapêutica Ocupacional. Nessa seção, a médica descobre o poder de diferentes atividades, dentre elas a pintura e a modelagem, como forma de terapia para seus “clientes”, como assim gostava de chamar aqueles que eram atendidos por ela, e também como meio de acesso a seus mundos internos. Logo, as produções artísticas de seus clientes deram origem a ateliês que cresceram até que, em 1952, nasce o Museu de Imagens do Inconsciente. Atualmente, o Museu é “um centro vivo” e multidisciplinar de estudo e pesquisa sobre as imagens, permitindo um ambiente de troca entre experiência clínica, conhecimentos teóricos de psicologia e psiquiatria, antropologia cultural, história, arte e educação. Além disso, nos ateliês do Museu novos clientes ainda criam diariamente novas artes e compartilham suas experiências com funcionários, animais, estudantes, pesquisadores e visitantes do local. “Com um acervo de mais de 350 mil obras, o Museu tem a maior e mais diferenciada coleção do gênero no mundo, com as principais obras tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Guarda também a biblioteca e o arquivo pessoal de sua fundadora, Nise da Silveira, sendo detentor do Registro Mundial no Programa Memória do Mundo da UNESCO”.

Informações retiradas do site oficial do Museu: http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/#historico

Um pouquinho sobre a entrevistada Ana Paula de Oliveira Medeiros…

Ana Paula possui graduação em Psicologia pela Escola Superior da Amazônia (2017), graduação em Pedagogia pela Universidade do Grande Rio (2012), especialização em Educação Infantil pela Universidade do Estado do Pará (2009), especialização em Psicopedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2005) e curso-tecnico-profissionalizante em Formação de Professores Normal pelo Colégio Estadual Heitor Lira (1998).

Entrevista

Jornal Nise: Gostaríamos de saber um pouquinho sobre como funciona o Museu de Imagens do Inconsciente… Quais são as divisões? O que tem de atividade?

Ana Paula: O Museu faz parte do Instituto Municipal Nise da Silveira. Ele fica dentro do Hospital Psiquiátrico Pedro II, lá no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Ele é dividido em quatro setores: tem o ateliê, o setor administrativo, o de estudo das imagens, que visa ensino, pesquisa e divulgação e a reserva técnica. Então, o ateliê é em cima do Museu, fica no segundo andar e ele é portas abertas. Só que aí para participar você precisa ser ou encaminhado ou tá fazendo tratamento no CAPS, ou ser paciente do Instituto. Chega uma pessoa lá “ah eu quero pintar”, ele precisa estar dentro de algum serviço. Por quê? Porque o Museu passa por poucos recursos e não dá, infelizmente, para atender a todos. Então quando eu digo portas abertas é porque eles realmente circulam a hora que eles querem. Então os pintores têm seus técnicos, por exemplo, eu sou a Ana Paula, faço parte, sou cliente do Museu. Meu horário lá é com a técnica Vanessa, um exemplo, então eu vou lá no horário da técnica Vanessa, que é à tarde. Eles podem fazer yoga, tem o psicólogo, que é atendimento individual, eles têm o cine debate, tem a modelagem…também tem uma oficina em que eles trabalham a questão da voz, porque muitas vezes a voz não é dada a esses pacientes, então muitos se calam. Então tinha até uma pesquisadora lá medindo o nível de voz deles. Ela ia para uma salinha e deixava eles falarem o que eles quisessem, e ia medindo “fala baixo”, “fala alto”, “fala pra dentro”, como é que tá falando. Porque a gente pensa que é uma bobagem, mas acaba sendo como as pessoas que são surdas.. viram “mudas” porque deixam de falar. É o que acontece com eles também, então trabalhar a questão da voz é importante!

Jornal Nise: Quando começou seu interesse por esse trabalho, o que te motivou?

Ana Paula: Começou em 2015. Eu tava fazendo uma disciplina chamada Psicopatologia e uma professora falou na aula, muito rapidamente, sobre as imagens do inconsciente.. e eu fiquei assim “como assim inconsciente tem imagem?” A gente não sabe nem onde ele fica dentro do nosso corpo né. Então assim, qual o lugar do inconsciente? Não sei. Como tem imagem? E aí eu fui pesquisar, joguei exatamente assim “Imagens do Inconsciente” e descobri o Museu. Então começou em 2015, mas eu fui muito assim, nas férias, despretensiosa, com muito medo porque era dentro do hospital, lá nos fundos do hospital..aí tu passa, tu vê um monte de coisa.. E aí quando eu cheguei no Museu que eu vi o primeiro quadro, eu pensei assim: que lugar é esse? Como que eu nunca ouvi falar desse Museu no Rio de Janeiro? Eu esperei vinte e poucos anos pra saber que uma coisa dessa existe. Aí eu fui tomada por algo que eu não sei te dizer..de uma emoção que eu fico emocionada só de falar…por um quadro..e eu fiquei horas naquele quadro, eu não queria mais vir embora tentando entender o que se passava na cabeça daquele paciente, daquele cliente, pra pintar aquele quadro. E eu passei a tarde toda lá, não queria mais vir embora, e desde então eu vou sempre ao Museu. E eu comecei a fazer isso, vim pra casa, voltei pra Belém, pra faculdade, eu comecei a pesquisar e eu conversava com um professor, conversava com outro…não tinha muito o que me dizer, aquela coisa da teoria…”Não, porque isso não vai dar muito certo..” Falei: “Eu quero fazer minha pesquisa lá, eu preciso de uma autorização”. E não me davam nenhuma autorização, então eu ia.. “ah iii eu esqueci em Belém a autorização”, “iii esqueci num sei aonde”.. Aí fui ficando, fui ficando, até que eu consegui pro TCC, mas foi uma briga muito grande. “Como vai falar de arte, de pintura? Se ainda fosse alguma coisa escrita a psicanálise poderia ajudar mais..” Aí foi uma briga boa até, porque a gente cresceu muito junto, e eu fiquei fazendo a pesquisa dentro do ateliê, eu consegui fazer dentro do ateliê…o que foi o máximo, porque eu acompanhava de perto como esses pacientes chegavam, como eles saiam, e o processo disso. Eu queria investigar como era a prática. “Tá ok, os quadros são maravilhosos, tudo que é teoria, fui atrás de Freud, de Lacan…tá, o que eu to entendendo mais ou menos o por quê, mas como? Por que dá certo? Por quê? Por que que isso não é divulgado? Por que que as pessoas não falam disso? Por que que a minha orientadora criou uma briga comigo?” Ai aos poucos eu fui entender. Primeiro uma guerra teórica, né, psicanálise Junguiana que eles não chamam de psicanálise, é psicologia analitica de Jung e psicanálise de Freud. Como que você vai falar em Freud se lá eles usam Jung? Mas dá pra fazer, tanto que tá dando certo, né. E…mas como esse trabalho não é divulgado? Por que que as pessoas vão lá, conhecem..fazem um, sei lá, um trabalhinho e não leva-se pra frente? Então existe um projeto que tá engavetado, não sei como tá agora, posso até pesquisar depois pra vocês, de transformar essas técnicas do ateliê para os CAPS. Então em volta do hospital existem vários CAPS, o CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPSi, CAPSad, tudo em torno do hospital. É uma estrutura de atendimento…gigantesco. Deveria ser um exemplo. Não precisa fazer igual, vamos tentar fazer algo? Então eles estão ali de fato vivendo a reforma psiquiátrica, mas isso não é divulgado

Jornal Nise: E por que isso seria importante? Qual a contribuição que a expressão artística pode ter na saúde mental de pacientes psiquiátricos?

Ana Paula: Ahhh é muito, porque por exemplo…a gente pode medicar, a gente pode escutar e a gente pode oferecer algo que faça o laço social. A pintura pode fazer algo pro laço social. Então a pintura pode transformar o teu delírio em imagem, em ato. Então em vez de eu ficar só delirando, eu consigo transformar aquilo que me angustia, aquelas vozes que não cessam, em alguma coisa que eu consiga pelo menos ver, consigo falar “olha, é mais ou menos isso aqui”, como um paciente disse. Não precisa ter medo diante do inconsciente porque ele tá dentro de mim.

Jornal Nise: Agora, falando um pouquinho sobre loucura, tem uma frase da Nise em que ela diz:

“Não se curem além da conta, gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas”.

O que você entende por loucura?

Ana Paula: Eu acho que todo mundo é louco (risos) e quando a gente vai pro museu a gente fica mais louco ainda. E isso é muito bom porque tira um pouco as tuas amarras, sabe? Então assim, é isso que eu falo, às vezes é muita teoria e pouca empatia, pouco contato com o outro…e quando você vai sem a teoria, é só você e teus preconceitos, teus medos, tuas loucuras, tu se dá bem com o outro, com a loucura do outro…é você se reconhecer na sua loucura, você começa a respeitar o outro, a loucura do outro, tipo “mas eu também faço isso quando ninguém tá vendo, sabe? Eu também bebo um pouquinho, eu também quero dançar mais na festa…” Então quando ela…eu acredito que quando ela diz isso é porque realmente não tem que curar, acho que tem que aceitar.

Jornal Nise: Dentro dessa temática, esse ano a luta antimanicomial faz 30 anos. O que você acha que mudou de lá pra cá? Você acha que ainda há resquícios daquela época?

Ana Paula: Eu acho que a gente tá avançando em pequenos passos, nós estamos avançando…existe umas recaídas, né, a questão da medicalização da vida, as pessoas tão muito medicadas e tão vendo isso como uma solução pra tudo, não só pra loucura mas pra tudo.. Eu acredito que agora vai ficar um pouquinho mais complicado com essas..é…novas políticas, né, a questão da internação…Não sei que vocês já leram a nova proposta. Isso vai tornar um pouquinho mais complicado e eu acho que a gente vai dar uma retrocedida. E é uma pena..porque você vê trabalhos como a Nise, trabalhos como o Consultório de Rua* que vocês viram agora, que foi desfeito…então as políticas que tão dando certo não têm investimento, não é divulgada…dentro do nosso próprio meio acadêmico. “Arte? Vai falar de arte? Você uma psicóloga, uma psicanalista?”

* O Ministério da Saúde (MS) ao eleger a criação da política pública de saúde para a População em Situação de Rua (PSR), que tem como um dos seus objetivos trabalhar a Redução de Danos (RD), assume a responsabilidade da promoção da equidade, garantindo o acesso dessa população a outros atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da implantação das equipes de Consultório na Rua, que por meio de equipes multidisciplinares levam atendimentos a essas populações.

Jornal Nise: Dentro dessa questão política, em Fevereiro deste ano, a Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, fez uma publicação que altera algumas medidas sobre a questão da saúde mental no Brasil, incluindo a internação compulsória, a internação de crianças e adolescentes junto aos adultos e a retomada do eletrochoque como formas de intervenção para pessoas em sofrimento mental. Uma vez que já foi comprovado cientificamente que essas intervenções não funcionam, sendo algo totalmente desamparado por evidência científica, porque você acha que hoje ainda essas medidas são vistas pelo governo e por muitas pessoas como válidas?

Ana Paula: Eu acredito em duas vertentes: primeiro a higienização, e a gente volta pro modelo asilar, tira da rua o que incomoda, o que eu não quero ver, e coloca em algum lugar e ali tem que dar conta.. e eu chamo de louco, de viciado, de perigoso..e a gente pode ter toda uma questão, pensar a loucura perigosa.. O louco é de fato perigoso? Se a gente pegar a população carcerária, quantos dali, de fato, são loucos? Então existe essa discussão, e também tem a discussão além de política, financeira né? O que podemos pensar das comunidades terapêuticas? O que tá de trás disso? Como elas são financiadas? A quem beneficia? Existe por trás aí toda uma política de poder. Se eu curo em nome de uma religião ou em nome de um ser supremo, eu aprisiono essa pessoa. “Ah, mas não tá dando a medicação”, mas ta dando uma coisa pior: o discurso.

Jornal Nise: Então, diante desse retrocesso que está acontecendo, como você acha podemos continuar o legado da Nise? Pensando em um contexto que as ideias dela não são bem aceitas, que as pessoas não estão valorizando….

Ana Paula: Primeiro a gente tem que pensar por que não é bem aceito, né. O contexto da Nise, uma única mulher, alagoana, se formando médica, dizendo não a um bando de homens, médicos, brancos… e ela é acusada de comunismo, então se hoje trouxer a Nise diante dessa política que nós estamos vivendo hoje, a primeira coisa que ia ser ressaltada é a prisão dela. Então existe todo um contexto por detrás disso. Quem quer dar voz ao louco? A própria família não quer, então quando eu dou uma ferramenta e coloco ele como um sujeito que tem voz, que tem vez, que pode estar na sociedade mesmo dentro da sua loucura, eu ameaço o outro. Ninguém quer ser ameaçado. Isso não só pros loucos…as mulheres, os negros..

Jornal Nise: Nós vemos por aí muitas pessoas que têm vergonha de se expressar artisticamente, porque tem toda essa questão social que ensina que não devemos nos expressar…como você acha que o maior incentivo a produção artística pelas pessoas em geral poderia ajudar na promoção de saúde?

Ana Paula: Primeiro, ter mais acesso à arte. E a arte mesmo num contexto geral: teatro, música, literatura, pintura, modelagem..a gente não tem acesso e quando tem é uma coisa assim, vai no Museu, as pessoas tiram foto e sai, tiram foto e sai, tiram foto e sai… Ou algumas vão te dizer assim “mas eu nem sei o que fazer lá, Ana Paula”, porque acha que aquele lugar não é um lugar de pertencimento a ela, é só de uma elite. Ir ao Museu é de uma elite, ouvir música clássica é de uma elite. Então, primeiro, temos que trazer arte pra todos, desde pequenininho. Em relação à saúde mental, a gente precisa ter a visão de dois públicos: um público que vai ter essa vergonha, como você colocou, de dançar, de se expressar.. a gente tem que trabalhar de forma diferente. E o público que já não vai ter essas barreiras, que vai colocar ali seu inconsciente a céu aberto e você que vai ter que lidar com isso. A própria equipe vai ter que lidar com isso porque pra ele vai estar tudo de boa, ele vai até tirar a roupa, não tem censura. Lá a gente não vai sair pelado por mais calor que esteja, né. Então são dois públicos diferentes, são dois trabalhos diferentes. Então um que você vai engatinhar até ele se tornar livre pra mostrar suas manifestações, e um outro que tá totalmente livre já pra mostrar suas manifestações.

Jornal Nise: E agora, mais pra fechar, tem uma outra frase da Nise em que ela diz:

“O que cura é a alegria e a falta de preconceito.”

E a gente vê, nos ambientes acadêmicos, e até mesmo em hospitais, ambientes muito pesados em que os próprios profissionais de saúde têm muito preconceito ainda, muito estigma. Como você acha que a gente pode transpassar essa barreira, ajudar isso a amenizar um pouco?

Ana Paula: É um trabalho de formiguinha. Eu acho que você tem que servir como exemplo. Então é indo nos lugares, é conversando com as pessoas, é tentando se livrar dos seus próprio preconceitos. Então hoje, por exemplo, uma pessoa em situação de rua passa por mim eu já tenho um outro olhar, já paro, já converso, já troco uma ideia.. antigamente não! Pensava: “pode me assaltar!” Realmente pode, assim como meu colega de sala também pode me assaltar, pode me abusar, pode botar coisa na minha bebida. Então é olhar o outro como você olha pra você mesmo..,se você olha pra você com carinho, olha pro outro com carinho. Agora isso é muito difícil, é mais difícil tentar mobilizar a equipe do que o próprio usuário do serviço. O usuário do serviço vai ser sempre solidário ao outro, acolher o outro na crise. Ali no vídeo* o sujeito tava babando e ele foi lá e limpou, troca, come no mesmo prato, se abraçam, choram junto…Agora, a equipe tá sempre tentando se manter no lugar de dono do saber, “eu sei o que se passa com aquele sujeito.”. Sabe? Você já entrou numa crise? Pode saber a teoria de como ajudá-lo, mas a gente nem sabe também como, a gente tem uma ideia do que tá acontecendo.. “ah tá tendo um delírio, vou ouvir aqui é alucinação? É fantasia? É perseguição? Qual é o delírio que ele tá tendo agora? É um delírio que vai colocar alguém aqui em risco? Ele? Alguém da equipe?” É esse o papel, mais é ouvir… sair do lugar do saber. Quando você não sai do lugar do saber você não escuta ninguém.

*Vídeo passado pela Ana Paula durante a palestra.

- Leticia C. Mesquita

- Isabella M. de Lucas

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