Selma Parreira em produção (foto: Bené Fonteles)

A poesia da memória

“A borracha sobre a memória jamais pode apagar o que a arte eterniza”. A frase de Bené Fonteles dimensiona a sensibilidade do trabalho em construção da professora e artista plástica Selma Parreira.

A docente da FAV visita há dois anos um galpão abandonado que no passado abrigou uma empresa cerealista e um armazém de secos e molhados, em Anápolis. Locais marcantes em suas lembranças de infância.

Era lá “o espaço de trabalho dos homens, para onde se dirigiam, todos os dias e por cinco décadas, meu avô e seus dois filhos, e, nos últimos anos, meu pai e meu irmão”, explica a artista.

O galpão está desativado e em processo de desocupação. Através da pintura, de registro fotográfico e de vídeo, os detalhes deste espaço se encontram com a poesia da memória de Selma. “Numa ação sem sentido contrário e mediante os recursos da arte, recolho resíduos e busco registrar o que encontro de história do lugar”, diz.

Uma das obras que foram expostas na FAV (foto: Bené Fonteles)

Do apanhador de cereal à porta antiga, cada pedaço carregado de simbolismo é matéria-prima para o projeto de Selma, chamado de “Máquina” — de curadoria compartilhada entre Bené Fonteles, Antonio Ambrósio Bandeira e Irene Tourinho –, que deve ser exposto daqui a dois anos.

O lançamento do projeto foi exibido na Galeria da FAV, nos meses de dezembro e janeiro, com a série de pinturas “Desuso”. Algumas das obras expostas estão reproduzidas nesta página.

Professora Selma Parreira em exposição na Galeria da FAV (foto: Fábio Alves)
Obra expostas na Galeria da FAV (foto: Bené Fonteles)