A esquecida política da consciência de classe

Talvez não seja difícil mobilizar a população em meio ao quase desconhecimento sobre o atual quadro político brasileiro, em meio ao achismo, às propagadas falácias e manipulações dos grandes veículos de comunicação — esses, um festival de horrendas grosseirias jornalísticas à parte — mobilizar em meio à fragilização do quadro econômico, uma crise que não mostra números tão decaídos como os da década 90, seja de desemprego, seja a inflação; mobilizar com base na espetacularização das operações da Polícia Federal e demonização dos atores do governo, tendo ao alto a bandeira vazia da não corrupção. Também após infundir o antipetismo, o ódio ao PT, após lograrem levantar das tumbas aquela população que quase nada falava de política, mas agora brada firme gritos de pavor contra o partido causador e fundador de todos os males do país, o Partido dos Trabalhadores, com todos esses elementos bem trabalhados, a oposição pode conseguir um bom número de participantes no domingo, 16 de agosto, o dia do protesto a favor da deposição da presidente Dilma Rousseff.

Sim: a favor do impeachment. O Brasil chegou a este ponto. É alarmante! Estar no Brasil, neste momento, é saber detectar a total insensatez das discussões políticas cotidianas e, talvez, assistir o desenrolar do processo de despolitização da população. Digo despolitização porque o antipetismo não é política, muito pelo contrário, e como escrevi isso várias vezes, agora repito: o discurso anti-PT é o esvaziamento do pensamento e da ação política, quando sabemos que parte da população não tem outra formação de prática e pensamento político, senão o antipetismo que tem culminado na antidemocracia. Esta “nova política” anti-PT comunga com a insana insensatez, no grau mais bruto e tosco em que o indivíduo possa vir a lidar com a política.

No entanto, evidentemente, tais condimentos são um prato cheio para a oposição, que desesperada sem projeto de país e enfraquecida longe do poder há mais de uma década, deseja a simplificação e o pouco aprofundamento da visão política, para que possa manipular e atrair os inconformados. Isso é básico, e dizê-lo soa monótono, repetitivo. Mas é fácil constatar essa realidade nas falas escritos depoimentos e insultos que circulam na internet. Hoje a discussão política no Brasil, de modo geral, é rasa tola e desinformada. Como se ver o Jornal Nacional, ler a Folha de São Paulo, escutar a CBN, como se algum desses meios de comunicação fossem representantes e tradutores das informações sobre o cotidiano político do país. Há muito, Folha de São Paulo, Veja e Época, por exemplo, inventam e distorcem fatos políticos. A caça ao ex-presidente Lula da Silva, principalmente nos últimos três meses, é das atitudes mais boçais, de um jornalismo pífio e mediocre. O que dizer dos ataques à sede do Partido dos Trabalhadores e ao Instituto Lula. Este são alguns dos resultados da novidade política grotesca do antipetismo.

Quando ser ou não ser Lula é uma questão de classe, defender ou defenestrar o PT também é uma questão de classe. Se parte dos anti-Lula e anti-PT estão apenas do lado que corresponde ao favorecimento dos seus privilégios sociais e econômicos, ao mostrar bravamente, com camisas da seleção brasileira, que um presidente sindicalista torneiro mecânico nordestino e transformador das bases sociais deste país, não os representa; o que de certa forma condiz com a sua situação de classe, mas evidentemente é uma distorção preocupante do ponto de vista da consciência social e da luta contra as desigualdades.

No entanto, é comum ver que o antipetismo atingiu também as classes mais desfavorecidas, porque o discurso da oposição em conluio com a grande mídia, aproveitou a brecha da falta de educação política que ainda permeia parte da população. A oposição tem trabalhado sobre essa falta de consciência política de classe. Isso que representa uma das faltas mais graves dos governos petistas, desde 2003, com o seu foco no poder, na manutenção do partido no Congresso e na presidência, um partido que enquanto governo se esqueceu de falar sobre política, de educar e conscientizar a população, aquela que evidentemente o apoiaria porque recebeu os bens das suas administrações, mas boa parte votou contra esse mesmo partido, nas últimas eleições. O PT perdeu o voto de muitos daqueles que foram favorecidos diretamente por suas políticas e projeto de governo. O erro do governo é primário e intolerável, a politicagem partidária PT-PMDB-PSDB tem vencido a verdadeira política de cunho social e de esquerda.

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