A Volta da Poesia

Retorno ao escrito em versos. Parece que estive a buscar esta volta poética, mas sem saber que acabaria, por fim, dando-me novamente aos versos de poesia. A tranquilidade e a fluidez fazem surgir em mim a certeza de que tais tentativas escritas devem ser acabadas, em apenas e nada mais, que novos versos. Não caberia outra forma, há certa última possibilidade de expressão que deve estar mesmo calçada assim: poesia andando em mim!

Após seguidas negações, numa certa manhã, quando a alegria fez casa em mim, sabia que esta vinha da produção de algumas poucas poesias. Não que elas me salvem deste humor cíclico imperativo, mas a influência da poesia agita meu espírito, e isso não posso-nem-devo negar. Tento crer nestes novos versos, sem colocar nos mesmos toda a responsabilidade de uma grande escritura. Sem alterar a minha percepção diante da realidade, a ponto de achar que minha poesia terá, para justificar a sua existência de versos, que se equiparar às poesias dos grandes poetas. Evidentemente, apenas estando fora do estado normal de percepção e vivência, poderia passar por cima de mim e esperar tal cumprimento de exigências alteradas por sua dose de, até mesmo, irresponsabilidade comigo mesma.

A minha poesia existirá, mesmo que sendo apenas esta minha-poesia, construída pela influência de leituras poéticas, das quais, aliás, não consigo me desvencilhar. Poetas latino-americanos seguram velas e iluminam as cabeças — para que fiquem bem frias e produtivas — desses outros poetas, que por ventura traçam também bonitos versos. Saber-me bonita em formato tradicional poético, isto é o que basta para justtificar a mim mesma a feitura de novas minhas-poesias. Sei que amanhã posso mudar de ideia — pobre humor cíclico! — ou posso ver que nunca saí dos versos, e que este retorno é apenas uma auto-explicação e entedimento para mim mesma, frente a este trabalhoso modo de viver, que é o de necessitar a expressão criativa; esta que tem tomado conta das horas dos meus dias, sem que ao menos pudesse eu decidir sua estadia.

A volta da poesia
está a acontecer como se nunca deste caminho eu tivesse retirado meus pés vadios.

A volta da poesia
é um lampejo de tranquilidade poética sem impulsos e cheio de sem-vergonhices.

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