A orquídea e o serial killer

As crônicas são escritas pelo jornalista, professor, escritor, tradutor e romancista, Juremir Machado da Silva


“Jurema”, como também é chamado, fez mestrado e doutorado em Sociologia da Cultura na Université Paris V René Descartes em 1995. No Brasil, cursou os créditos do mestrado em Antropologia Social em 1988 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas não obteve o título de mestre.

Juremir é professor visitante da Université Paris V René Descartes / Internet

Nascido em Santana do Livramento, RS, em 29 de janeiro de 1962, possui graduação em Jornalismo e História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1984). Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Suas pesquisas são voltadas à sua área de especialização: Sociologia da Cultura, sociologia da mídia e sociologia do imaginário, entre os temas pesquisados concentram-se: cultura, imaginário, mídia, comunicação, história e tecnologia.

O livro contém mais de 100 crônicas/ Alessandro Leão

“O país dos lacerdinhas”, também caberia ao título. Lançado em 2013 pela L&PM, o livro possui mais de 100 crônicas. A leitura? Flutuante. Juremir é crítico da mídia, portanto, quem é acostumado a ler Veja e os veículos de counicação de massa, cuidado! Não vá se perder por aí, ou se encontrar, né?!

Entre tantas, não consigo decidir quais as melhores. Que me instigam. Me faz refletir. É a primeira, “De trivela”, em clima do país do futebol, só nos resta analisar! Nisso, Juremir é crack, é Neymar, é Pelé e Maradonna ao mesmo tempo! (disponível no site da L&PM).

Sou colunista do Correio do Povo, o mais tradicional jornal do Rio Grande do Sul, desde 1º de setembro de 2000. Minha missão é bater de primeira. Sou cronista, articulista, comentarista, humorista, repórter, minicontista, poeta, resenhista, crítico literário, analista da vida política, crítico de mídia e tudo mais que se possa imaginar em três mil caracteres diários. Vida de colunista é trepidante. Tem dias de Neymar: pode-se driblar, enfeitar e enlouquecer os adversários. Já fiz gol de bicicleta, já dei passe de trivela, já bati falta no estilo folha seca, já cobrei pênalti com paradinha, já dei lambreta, chaleira, drible da vaca, chapeuzinho e por aí vai. Sou como o Lula, não dispenso uma metáfora futebolística. Afinal, estamos na “pátria de chuteiras”: vermelhas, verdes, amarelas, azuis, douradas, rosas…

De vez em quando, sou volante. Afasto do jeito que dá, chuto para o mato e aceito a lei do defensor: do pescoço para baixo tudo é canela. No mais, sou romântico, poético, carrego orquídeas pela rua, para desespero ou fúria dos homens, arrancando suspiro das mulheres. De resto, as mulheres formam o meu público mais fiel. Especialmente as de uma faixa etária bem particular: entre 60 e 102 de idade. Meu pico está nos 70 anos. Ninguém concorre comigo na categoria dos 80 aos 102 anos. Tenho orgulho disso: são leitoras atentas, sofisticadas, exigentes, livres, quase sem preconceitos, sedentas de novidades, de provocações intelectuais e de emoções.

Estou com elas. Não me faltam, porém, leitoras jovens. Nem leitores. Esta coletânea é uma resposta a todos esses generosos amigos de todo dia que, por e-mail, carta, ligação telefônica, twitter, facebook ou em encontros na rua, sempre me pedem algo assim, uma seleção de textos.

Ah, ia esquecendo, quando não sou romântico, posso ser um serial killer. Não fujo de uma boa polêmica: dou uma boiada para entrar e outra para não sair. Atiro primeiro, pergunto depois. É estilo Django. Tenho enfrentado, nos últimos tempos, um personagem bem brasileiro: o lacerdinha. É o reacionário puro e duro, aquele que, por extremismo ideológico, só vê ideologia nos outros, o mesmo que, por direitismo, afirma não haver mais direita e esquerda, aproveitando para esculhambar os esquerdistas. Sou franco-atirador. Não discrimino. Se necessário, uso minha metralhadora giratória. No meu mundo, aquilo que não acontece no real, ocorre no virtual. Em Palomas. Ando tão abusado, que saí do armário. Resolvi, enfim, me assumir como poeta. Uau!

Vai uma palhinha como pontapé inicial.”

Gostei desta também, postada no blog que ele mantem diariamente no Correio do Povo:

“A direita Miami acha que tem o monopólio do rótulo e do insulto. Ultimamente, ela se delicia com um quase plágio: esquerda caviar. Trata-se de um rótulo usado pela extrema-direita francesa há mais de 30 anos. Um brasileiro com cérebro de ervilha e falta de criatividade chupou a expressão. A direita Miami, que lê pouco, salvo as opiniões altamente ideologizadas e anacrônicas da Veja, acha que é uma ideia muito original”. (Outras características da direita Miami)