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A relação virtual entre candidato e eleitor

Jornalismo On-Line
Sep 4, 2018 · 6 min read

A tecnologia está cada vez mais presente nas eleições

Ano de eleições sempre traz muitas expectativas ao povo brasileiro, de quais serão os candidatos, suas propostas e o que esperar para o futuro durante o mandato. Em 2018 podemos está mais por dentro dos projetos, campanhas, entrevistas e de todo material relacionado a campanha política dos candidatos, pois, muitos estão usando os meios digitais (redes sociais e plataformas digitais) para propagar o seu marketing em larga escala.

“O Obama revolucionou a forma de fazer marketing eleitoral, a partir de 2008 as redes sociais começaram a ter outro sentido nas eleições. O ex presidente americano foi um marco não só para política, mas também para o uso das mídias sociais e do marketing como um todo. Os efeitos tanto da disseminação em massa quanto da informação, através de influenciadores em seu nome, ele legitimou seus partidários para falar em nome dele e usou a estratégia de multiplataforma, que é o uso não só de redes sociais, mas também de jogos, canais exclusivos para latinos, negros e até brasileiro, e com isso, ele acabou influenciando o Brasil, nós fomos absorvendo essa cultura nas eleições.” Afirma Diego André Martins, 38 anos, Analista de Marketing Digital.

Um levantamento feito pela Agência Internacional We Are Social, afirma que o Brasil é a terceira nação que mais passa tempo na internet. O brasileiro gasta por dia 5 horas e 26 minutos na internet via computador ou tablet, e mais outras 3 horas e 46 minutos conectado pelo celular, totalizando um período de 9 horas e 13 minutos online. Pressuposto que o brasileiro fica online quase um terço do dia, o candidato pode utilizar o marketing digital para disseminar sua mensagem (imagem, número e campanha) ao público a fim de conseguir mais partidários, podendo assim, levar as suas propostas para um número maior de pessoas através das redes sociais, como o Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp, além de pessoas que buscam informações na internet por meio de sites, portais, matérias dos veículos de imprensa que estão no meio virtual. O candidato mantém o mesmo conceito do marketing off-line, mas usando como ferramenta as multiplataformas virtuais.

A CAMPANHA DIGITAL PARA OS ELEITORES

As pessoas com internet tem mais acesso a informação, sejam elas fidedignas ou falsas, os eleitores têm condições de fazer uma análise maior do candidato, da situação política, avaliar os contextos com mais precisão e emitir opinião sobre o assunto, fazendo com que as informações virtuais sejam democratizadas. No meio digital a comunicação é direta, as pessoas têm voz, se sentem parte do mandato, todos têm o mesmo tamanho e ele permite que o leitor exija mais, expondo suas ideias, opinando, cobrando e elogiando o político.

Outro benefício do marketing eleitoral no meio digital, é por conta de ter o contato 24 horas com a campanha dos candidatos, o eleitor não precisa ficar à mercê do horário eleitoral na Televisão ou no Rádio, ele pode acessar a hora que seja mais conveniente, diferente da mídia de massa (Televisão e Rádio), a internet fornece chance do eleitor também se manifestar e gerar uma interatividade entre candidato e votante.

A CAMPANHA DIGITAL PARA OS CANDIDATOS

O candidato que conhece seu eleitorado, seu público, tem um posicionamento e uma proposta definida, essa é uma das vantagens do marketing digital, você consegue trabalhar as propostas para cada nicho, segmentando as informações que cada perfil de eleitor quer saber. É o que fala Thaís Alonso, 25 anos, Publicitária, Graduada em Propaganda e Marketing e Pós-Graduada em Gestão de Conteúdo em Comunicação e Jornalismo.

“O candidato tem cidades com grande densidade populacional, e ele não tem como percorrer todos os locais pessoalmente para fazer sua campanha, mas ele pode produzir o conteúdo certo para as pessoas certas, mandando informação por localização, sendo de acordo com a necessidade e interesse dos eleitores de determinado local. Então eu posso fazer um vídeo falando das necessidades do eleitor para cada região do estado de São Paulo, usando anúncios e os temas locais e você estando em contato com todas essas pessoas, sem mesmo está presente, mas ainda sim, estabelecendo uma relação eleitoral com eles. Não tem como não usar as redes sociais, mesmo com todas as limitações que a lei eleitoral nos coloca em relação ao material de rua. ” Afirma Alonso.

BENEFÍCIOS X MALEFÍCIOS

Um dos benefícios do marketing digital é o custo benefício, tanto em questão de dinheiro quanto em questão de divulgação da campanha.

Em relação a campanha, permite que pessoas não tão conhecidas sejam candidatos e que tenham resultado, por questão de conseguir transmitir sua mensagem de maneira precisa e chegar a pessoas que antes não chegaria, e as mesmas pessoas também serem divulgadores da sua ideia.

Já em relação aos investimentos, possui um custo bem reduzido. Mariana Nogueira, 34 anos, Relações Públicas Pós-Graduada em Marketing Estratégico e especializada em Marketing Político Digital pela ESPM, cita um exemplo:

“Se você fizer cinco mil panfletos, irá ter um custo por esses panfletos e transmitirá a sua mensagem no máximo para cinco mil pessoas já em vídeo transmitido via as redes sociais, terá um custo bem menor e atingirá um número bem maior de pessoas, acaba um sendo o inverso do outro, a internet é bem melhor e o candidato não corre riscos tão grandes quanto ao investimento de sua campanha.”

O maior malefício é a Fake News, que são sites e redes criados para propagar informações falsas e deturpadas, com o intuito de orientar os eleitores de forma antiética e ilusória, e acabam sendo compradas para serem utilizadas pela assessoria.

“Muitas vezes isso acontece, os perfis fakes são criados indevidamente, fazendo mensagens invasivas, com superlotação de informações e utilizando plataformas e conteúdos contra os seus adversários, se passando por imprensa verídica.”

André Martins fala das tendências para o futuro: “Eu diria que hoje o conteúdo digital para uma eleição gira em torno de 65 a 70% do que o candidato tem que se dedicar em seu marketing, em detrimento a outros meios de mídia e comunicação, eu diria assim: o que tem de igual, é apenas, o nome do candidato, o número do candidato, a imagem, o resto é tudo diferente.”

Por mais que o marketing digital possa ajudar na proximidade entre candidato e votante, isso não garante que ele irá conseguir se eleger, é toda uma construção tecnológica para viabilizar que um candidato vença a eleição, por isso, esse ano será um fator preponderante para o resultado, pois, poderemos mensurar até que ponto as redes sociais vão ter um papel importante na campanha eleitoral. O Cientista Político Alcindo Fernandes Gonçalves, 65 anos, Pós-Graduado, Mestrado e Doutorado em Ciência Política pela USP, cita um exemplo:

“Eu estava lendo uma matéria sobre o valor econômico, que dizia que a estratégia do Jair Bolsonaro é privilegiar as redes sociais, por ele ter tempo mínimo na televisão. Com isso, ele orienta os seus representantes, que tudo que ele faça, tenha repercussão nas redes sociais, facebook, sites e em todos os tipos de mídias, é uma estratégia que está sendo criada. Se ela vai dá certo ou não, ainda tenho dúvidas de como tudo isso vai ser, mas este ano veremos tudo com muita clareza, será um grande laboratório. ”

Com o crescimento e desenvolvimento dos meios digitais as mídias passaram a ter uma atenção maior dos governantes, sendo utilizadas pelo marketing digital não só nas eleições, mas também na manutenção do mandato.

“Um exemplo disso é o Trump, o presidente americano usa o Twitter todos os dias, ele cria fatos, se comunica com a população americana e o mundo via Twitter, então, na minha opinião é fundamental, o candidato caso seja eleito, manter essa relação.” Declara Gonçalves.

A campanha eleitoral nessa era digital, têm tudo para quebrar o paradigma de que os candidatos só aparecem em época de eleição.

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