Big data é recurso estratégico em campanhas eleitorais

Jornalismo On-Line
Sep 4, 2018 · 4 min read

Candidatos têm pautado suas agendas a partir da grande quantidade de dados disponíveis na internet

Bruna Passos
Gabriel Aguiar
Gabriel Gatto

Redes sociais são uma das principais fontes de dados utilizadas por analistas de informação (Foto: Gabriel Gatto)

Em período de eleições, políticos aproveitam uma grande disposição de informações públicas na rede para a utilização em campanha. O big data pode ser retirado de publicações no Facebook a pesquisas no site do Tribunal Superior Eleitoral, podendo potencializar a popularidade e o discurso de um candidato de acordo com seus interesses e o perfil dos eleitores.

Sinônimo para o grande volume de dados armazenados em rede, o big data envolve todo tipo de informação disponível na web, desde publicações em redes sociais a movimentações da bolsa de valores. O jornalista e professor universitário Walter Teixeira Lima Júnior explica que o termo surgiu há menos de uma década, mas a ideia de utilizar dados é antiga. “Hoje, na atualidade, nós temos grandes produções de dados. Em todos os lugares se produz”. Sistemas internos de instituições, empresas ou lojas possuem seu próprio data set, ou seja, um conjunto de dados particular. “O Hospital das Clínicas tem o data set dele, que ninguém tem acesso a não ser o próprio. Por exemplo, prontuários médicos, armazenamento de remédios, a frequência de quem entra ou sai do hospital”, comenta.

Segundo Teixeira, as redes são fontes de dados, mas a análise para uma campanha geralmente é feita por especialistas. “A opinião pública está entendendo que o Google utiliza [dados], o Facebook utiliza, coisa que o Orkut, por exemplo, não fazia. Temos que entender que essas empresas são de dados”, observa. “Elas conseguem extrair valor deles”. A previsão é que esse volume de informações cresça em 4300% ao ano até 2020.

Apesar de ser uma ferramenta útil, o uso traz apenas deduções. “O big data é basicamente o que está acontecendo agora. A partir dele é possível fazer projeções, mas a sociedade é muito dinâmica. Temos a internet, então ela vai para alguns lugares muito rapidamente, isso as máquinas não conseguem prever”.

O engenheiro de computação e professor universitário Luis Roberto Guerreiro Lopes afirma que o mais importante não está nos dados em si, mas como são aplicados na prática. “Na época de eleições, os candidatos estão afoitos para verificar essas informações — que são públicas. O que é mais interessante é o que o candidato faz em torno disso”.

Por conta da incerteza de veracidade nas redes sociais, também é possível utilizar esse recurso com pesquisas e censos, para um melhor direcionamento. “Supondo que eu vá traçar uma campanha baseada em segurança pública, eu vou me basear de dados vindos de diversas fontes para verificar as áreas com mais carência nesse sentido. Eu coloco essas informações, aplico meus filtros e o big data vai me dar uma informação muito mais objetiva”, observa Guerreiro. “O big data vem para ajudar, porque quanto maior o número e a diversidade dessas informações, melhor ele trabalha”.

Para Rafael Eduardo Oshiro, proprietário da SeekWeb Marketing Digital, não existe uma fórmula ou padrão para a aplicação do big data em campanha. O trabalho pode começar a ser feito até mesmo por meio do próprio site de um candidato. “Você já consegue coletar dados com ferramentas gratuitas ou pagas, como por exemplo o Google Analytics.” A utilização não se resume apenas às mídias digitais, mas também à campanha off-line, que recebe maior direcionamento do que falar e fazer, e em qual tempo e espaço.

Geralmente, o próprio candidato requer esse tipo de ferramenta, mas depende de uma equipe maior por trás do desenvolvimento. “Às vezes tem mais de uma agência trabalhando para as campanhas, e elas trabalham esse número, fazem todo o cruzamento e montam um relatório, uma proposta. ‘Qual é ação que a gente vai fazer’; ‘Estamos fracos em tal lugar, vamos fazer uma ação lá, qual ação? Digital, online, off-line, o que tem que ser feito?”, comenta Oshiro. Para ele, o big data pode ser um diferencial. “Se o candidato também está propício a aderir essas informações, acho que a tendência é ter mais sucesso, porque você consegue olhar com números e tomar uma decisão mais correta”.

Oshiro comenta que o feedback digital também é importante para conhecer o eleitorado e saber quais são as tendências, algo que não pode ser aproveitado nas mídias offline. “Um outdoor não tem como mensurar, mas no digital, quando você publica um vídeo, você sabe quantas pessoas viram, quem viu, é muito mais apurado. E através disso conseguimos criar campanhas para pessoas que estão interagindo com você”

Para a matemática e professora universitária Dalva Mendes Fernandes, a política pode ser considerada um sistema de troca entre duas partes, portanto, existe uma necessidade de direcionar melhor a comunicação e saber mais sobre os eleitores. “Por ser uma atividade do ser humano, percebemos que esse conceito de aglutinar dados começa a crescer e passa a ganhar um poder político, de controle. Mesmo porque a política faz parte, também, da organização do ser humano”.

Nas redes sociais, é possível verificar quais são as tendências do momento, por meio de publicações, compartilhamentos, tuítes, ‘likes’ e comentários. “Os computadores, hoje, em termos de análise e processamento, estão muito avançados”, observa. “Eles cruzam determinados elementos, atividades e vão mais além do que traçar um perfil. Eles pegam tendências que ainda não se verbalizaram, mas que se fazem presentes dentro da sociedade”.

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