Influência Dos Coletivos Sociais na Vida Política dos Jovens

Jornalismo On-Line
Sep 3, 2018 · 4 min read

Rafaela Tonetto

Mariana Romano

Reunião do coletivo Contra-Maré, já encerrado (Reprodução)

Não só os partidos políticos trazem e incentivam o envolvimento dos jovens na política. Também o engajamento em organizações estudantis, associações de bairro e sindicatos são modos de participação política e social.

A militância por meio dos coletivos sociais se destacou entre os jovens nos últimos anos, apresentando uma forma diferenciada de atuação.

Na Baixada Santista existem coletivos dos mais diversos temas e causas, como o Educafro que trata de educação pré-vestibular para jovens de baixa renda e a Marcha da Maconha de Santos que busca a legalização da Cannabis no Brasil. Estes têm um papel importante na vida dos jovens que participam dos respectivos movimentos sociais.

Os coletivos são movimentos sociais que consistem em respostas coletivas para uma determinada coisa ou tema. São grupos de pessoas que precisam estar organizados, articulados e acima de tudo ativos. Coletivos sociais surgem a todo momento, mas muitos deles são deixados pra trás sem cumprirem seus objetivos.

O Coletivo Frida encerrou suas atividades oficialmente neste ano. Marcela Rodrigues, idealizadora do movimento, aponta que a falta de pessoas envolvidas na causa fizeram com que o coletivo não continuasse ativo. “O coletivo acabou justamente pela falta de gente que “corresse atrás” das coisas. As coisas ficaram meio hierárquicas, em que uma pessoa tomava conta de promover todos os eventos e os outros membros foram parando de comparecer e se interessar efetivamente”.

Um dos mais articulados coletivos da Baixada Santista, o Contra-Maré, que tratava de temas LGBT’s, também encerrou suas atividades neste ano. Não foi dado um motivo específico, sendo que seus organizadores apenas informaram que estavam focados em outros projetos.

Rafael Moreira, cientista político, explica que o surgimento destes movimentos é muito recente, a ponto de não haver estudos aprofundados quanto ao seu impacto na vida dos jovens e na influência que exercem, com exceção do estudo realizado sobre o Centro Estudantil de Santos (CES). Também não se sabe se esses coletivos realmente serão duradouros; conta que a percepção do aumento dos coletivos se deve à ausência de um levantamento histórico das atividades destes grupos.

Apesar do crescimento do número de coletivos nos últimos anos, para Paloma dos Santos, coordenadora e professora do núcleo de Cubatão da ONG Educafro, os grupos sociais estão extremamente fragmentados se dedicando a temas cada vez mais específicos e os jovens não conseguem lutar em uníssono por mudanças políticas e sociais no Brasil. Paloma pensa que essa fragmentação seja um dos principais motivos para tantos coletivos na Baixada Santista terem deixado de existir.

De acordo com estatísticas tiradas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a região tem 9 cidades com 9.248 eleitores que votam pela primeira vez. Os jovens entre 16 e 17 anos representam 0,67 por cento no total de 1,3 milhão de pessoas eleitoras. Não existem estudos que apontem qual a influência exercida pelos coletivos nos jovens referente à escolha de candidatos nas eleições.

Para Moreira, os jovens ganham maior consciência política aos 18 anos, pois o voto é obrigatório. Em contrapartida, Paloma tem ressalvas com relação a essa afirmativa “Ao mesmo tempo que é bom eles poderem votar, é complicado pela falta de experiência”.

Paloma deu inicio ao curso pré-vestibular comunitário há 10 anos e além de coordenar as atividades do Educafro é também Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Asseio e Conservação da Baixada Santista — SINDILIMPEZA. Relata que no período viu muitos jovens iniciarem sua militância na política. Lembra que ela mesma detestava sindicalistas. “Não podia nem chegar perto de um”.

O preconceito social e racial esteve presente constantemente na vida de Paloma. “Sempre tive que ouvir que eu não podia estudar por três motivos: você é pobre, você é preta e você nunca vai conseguir” as aulas de cidadania na ONG deram a ela razões para lutar pela mudança desse cenário, “Me chamaram para uma roda do sindicato, então fui”, conta Paloma.

Os coletivos tem por objetivo contribuírem para o esclarecimento da população jovem auxiliando na inclusão social, dando uma visão mais ampla do cenário político.

Para Marcela, fundadora do Frida, “militar por uma causa é assumir um compromisso.” Porém, com o passar do tempo as pessoas vão se desinteressando e isso faz com que os coletivos fiquem esvaziados. “Já aconteceu da gente alugar um espaço para uma roda de conversa e ninguém aparecer”, conta.

Os coletivos precisam de uma liderança e pessoas ativas, só desta forma conseguirão cumprir seus objetivos. Como seu próprio nome diz, o coletivo tem que ter um pouco da contribuição de todos.

“Eu acredito numa revolução no Brasil ainda, se todos se juntarem. Votem e lutem pelo que votaram”, diz Paloma que segue confiante no poder da mobilização dos jovens.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade