Redes sociais têm participação ativa na vida política de jovens
Participantes da Câmara Jovem de Santos e Cientistas Políticos discutem sobre os prós e contras no uso da ferramenta digital
Arthur Faria
Guilherme S. Gebara
Thiago D’Almeida

As redes sociais alcançaram um patamar de grande importância, não só pela sua praticidade, mas, por poder atingir um público e estabelecer um diálogo com ele. Prova disso, são os perfis de políticos em diversas plataformas que tentam, no jovens, um novo eleitorado para se candidatarem.
A vereadora mirim da Câmara Jovem de Santos, Sarah Angel Traldi, de 14 anos, diz que se informa pelas redes sociais sobre política. “(As redes sociais) são um meio mais rápido e prático de se expressar, hoje em dia, seguir seu candidato pela internet e acompanhar suas propostas é sempre bom”.
Por sua vez, o doutor em sociologia pela UNESP, André Rocha Santos, acredita que as redes sociais podem trazer ‘problemas’ para a construção de um novo cenário político, com o uso constante da ferramenta pelos jovens.
“Temos um fator novo, que são as redes sociais de difícil controle, mais sujeito a propagação de notícias falsas e que mantém as pessoas que agem de má-fé no anonimato. A justiça eleitoral está tentando ser ágil na apuração desses casos, mas a produção de páginas e notícias falsas tem uma velocidade que o TSE não consegue acompanhar”.
Sarah conta que para fugir das ‘fake news’, procura a informação em mais de um veículo e assim, avalia se o conteúdo disponível é verdade ou mentira.
Com o advento da internet, André relembra a diferença entre os meios de comunicação e a influência nos votos de cada geração.
“Antigamente quando a campanha era mais televisiva ainda se mantinha um nível mínimo de respeito a informações veiculadas pelos candidatos. Caso algum adversário percebesse algum erro, inverdade ou má-fé poderia acionar a justiça eleitoral dentro de uma ordem mais ou menos prevista. A legislação era mais frouxa nas eleições de 1989, o primeiro pleito nacional depois de 29 anos e nas eleições seguintes essas regras foram sendo aperfeiçoadas”.

CÂMARA JOVEM
Segundo pesquisa realizada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), jovens entre 16 a 24 anos correspondem a 27 % do eleitorado. Dentre esse número, 75% estão aptos a votar nesta eleição, demostrando que esse grupo específico poderá ser determinante na ida de um candidato à Presidência da República.
O cientista político da USP, Rafael Moreira, acredita que apesar da pouca idade, a ‘juventude’ está preparada para votar e destaca a importância do papel político nas eleições. “É fundamental nos mais variados assuntos. Desde a porcentagem que representa no eleitorado, passando por atividades de militância dos partidos políticos e até pautando na opinião pública através das redes sociais, conversas e ciclos de amigos”.
Na cidade de Santos, o projeto da Câmara Jovem é um instrumento para os estudantes que querem se aprofundar nesse tema. Lá, eles passam por um processo de capacitação antes de tomarem posse de cargos “mirins”, participam de audiências, requerimentos, indicações e projetos de leis.
A estudante Maria Augusta Santos Viana, de 13 anos, é a primeira secretária da Mesa Diretora no segundo semestre da Câmara. Sua motivação para ingressar nesse tema veio de uma vontade de conhecer e contribuir para sua cidade. “Eu queria conhecer mais a política e saber o que ela é além do que falam. Vi uma oportunidade de contribuir”.
Porém, quando questionada sobre o interesse dos jovens acerca desse tema, é enfática em dizer o que falta. “Na minha opinião, falta mais interesse dos jovens. Acabamos tendo uma visão distorcida da política pelo que os outros falam e julgamos sem conhecer”.