ARTIGO: America first, meio ambiente last

Para cumprir meu dever de proteger a América, os Estados Unidos vão se retirar do Acordo do Clima de Paris e começar renegociações para reentrar no acordo de uma forma que seja justa com o povo americano”, afirmou o presidente americano Donald Trump no dia primeiro de junho deste ano. Ele havia prometido, durante sua campanha, que se fosse eleito os EUA iriam do principal acordo sobre internacional sobre clima. E após cinco meses no mandato, cumpriu a promessa.

Desde 2015 existe o Acordo do Clima de Paris, que tem como finalidade a redução de emissão de dióxido de carbono a partir de 2020, além de limitar o aumento da temperatura média global. principalmente nos países mais desenvolvidos. É tratado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) e foi negociado na COP-21, na capital francesa. O acordo foi assinado por 147 países — dentre eles estão a China, a União Europeia, Índia, Japão e Brasil.

Reforçando o lema de sua campanha eleitoral “América First”, Trump acredita que a saída dos EUA do acordo pode gerar uma nova oferta de trabalho para os americanos na indústria de carvão e petróleo. Com essa teoria, após 100 dias na Casa Branca, o presidente já desfez 23 regulamentações ambientais aprovadas no governo de seu antecessor, Barack Obama, segundo levantamento realizado pelo The New York Times. Uma dessas mudanças é reescrever o Clean Power Plan (Plano de Energia Limpa — uma das mais importantes estratégias ambientais de Obama), que designava a diminuição de emissões das usinas já existentes no país. Todas essas medidas têm como fundo a ideia de que vale a pena danificar o ambiente se isso gerar empregos para a indústria carvoeira.

Por isso, é possível notar uma urgência do presidente de retirar os EUA de medidas preventivas em relação ao meio ambiente. Porém, o país de Trump é o segundo mais poluente no mundo, ficando atrás apenas para a China. Em uma entrevista à Reuters, o diretor do Departamento de Pesquisas Atmosféricas e Meio Ambiente do organismo ligado às Nações Unidas, Deon Terblanche, disse acreditar que a saída dos Estados Unidos do Acordo pode aumentar em 0,3 Cº à temperatura média global até o fim do século.

Entretanto, a decisão de Trump é um tanto controvérsia, uma vez que, atualmente, a indústria de energia solar gera duas vezes mais empregos que a do carvão. O presidente está dando um tiro no escuro ao apostar todas suas fichas em colocar a América primeiro e o meio ambiente por último. Outra proposta durante a campanha eleitoral de Trump foi a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México, a fim de barrar a imigração. Após a eleição, o presidente recuou quanto a essa promessa, mas não é possível afirmar se ele desistiu da ideia. Porém, com a elevação das temperaturas médias globais e, consequentemente, o derretimento das camadas polares, o buraco da camada de Ozônio, futuramente não existirão muros para conter tamanhas mudanças climáticas — que afetarão todos os pontos do mundo, inclusive a América de Trump.

Texto: Annie Castro

Edição: Sofia Schuck, Eduarda Endler Lopes, Isadora Assis, Michele Nascimento

Diagramação: Vitória Mollerke

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