BRASIL: Depois de admitir Caixa 2 da JBS, Onyx Lorenzoni pede arquivamento do inquérito sobre propina recebida pela Obedrecht

Menos de um mês após confirmar recebimento de cem mil reais da empresa JBS, parlamentar tenta provar que houve fraude em planilha que o acusa de novo crime de Caixa 2

Onyx passa pelo momento mais turbulento de sua carreira política

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) foi o primeiro político a assumir abertamente ter recebido recursos de caixa dois da JBS. Em entrevista, disse que o dinheiro foi doado por uma subsidiária da empresa no Rio Grande do Sul por meio de alguém da confiança dele. O parlamentar gaúcho foi citado na delação dos irmãos Batista, como beneficiário de cem mil reais que foram repassados pelo grupo. “Final da campanha, cheio de dívidas com fornecedores, eu admito que usei o dinheiro. A legislação não permite fazer a internalização desse recurso. Tive o cuidado de perguntar se o dinheiro era lícito, de origem limpa”, explicou.

O deputado afirmou ainda que não declarou o dinheiro de Caixa 2 porque teria que utilizar um laranja para que o valor pudesse ser acrescentado em sua prestação de contas. “Como faço? Pego o dinheiro de Caixa 2 e coloco onde? Nunca iria lavar dinheiro”, tentou justificar.

A luta contra a corrupção e a hipocrisia

Um dia antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgar na íntegra os documentos da delação da JBS, Onyx publicou um vídeo nas redes sociais em que defende convocação de eleições gerais, através de uma emenda constitucional, como única saída para a crise instalada com a revelação da gravação de Joesley Batista e Temer.

Na postagem, ele diz: “O Brasil hoje é um paciente que está na UTI. A crise não é da sociedade brasileira. A crise é política. A elite política desse país apodreceu, perdeu credibilidade, perdeu o respeito de todos”, declarou.

A jornalista política, também do Rio Grande do Sul, Carolina Bahia, contou que em dezembro de 2016, no programa Roda Viva, Lorenzoni disse que não é possível anistiar por Caixa 2 e chamou o foro privilegiado de excrescência.

Segundo Carolina, o relator das “10 Medidas contra Corrupção” e parlamentar do DEM argumenta que não tinha alternativa, ao justificar o recebimento do dinheiro da JBS, mas tinha sim. “Fazer uma campanha dentro da lei. As notas de assessorias negando caixa 2 seguem o mesmo padrão, independentemente do partido”, pontua. Com o fechamento deste cerco e a Polícia Federal investigando as delações na rua, não adianta mais negar. “O ex-deputado petista, Paulo Ferreira, que já esteve preso, assumiu para a Justiça que todos fazem Caixa 2. Resta saber quais serão os próximos.”

E a Obedrecht?

Onyx disse ainda que resolveu se pronunciar pois se sentiu muito incomodado com a situação, mas ressaltou que jamais recebeu recursos da Odebrecht. O deputado é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) em inquérito que apura a suspeita de repasse de 175 mil reais para a sua campanha.

Na última semana (13/6), pediu o arquivamento do inquérito que o investiga pela prática de caixa dois na campanha eleitoral de 2006. A defesa de Onyx encaminhou ao tribunal uma perícia na planilha que detalha o pagamento da propina feito pela Odebrecht a vários políticos, conforme as delações de diretores da empresa. Para a defesa do parlamentar, o documento foi fraudado. De acordo com a análise assinada pela perícia, o texto impresso em uma das linhas da planilha teria o tipo e o tamanho de fonte diferentes do restante do documento.

O deputado se tornou conhecido nacionalmente por ser o relator do projeto das “10 Medidas contra a corrupção”. O projeto, inclusive, tem como foco a criminalização do Caixa 2. “Quando fui relator do projeto das 10 medidas, eu briguei para criminalizar quem dá e quem recebe, com alta gravidade. Talvez ali eu estivesse tentando espiar meu erro”, finalizou.

Texto: Rafael Moll

Edição: Sofia Schuck, Eduarda Endler Lopes, Isadora Assis, Michele Nascimento

Diagramação: Vitória Mollerke