PORTO ALEGRE: “Eles só vão recuar se tiverem prejuízo”, diz presidente da CUT-RS sobre importância das manifestações populares

Claudir Nespolo acredita que os protestos com participação da sociedade podem mudar entendimento da classe política sobre as reformas pretendidas pelo governo de Michel Temer

Ao menos três manifestações foram registradas na Região Central de Porto Alegre no último mês para protestar contra as reformas pretendidas pelo governo de Michel Temer e por eleições diretas para a presidência da República. A última delas foi realizada na terça-feira passada, 20 de junho, e foi chamada de “esquenta” para a greve geral que está prevista para ocorrer no próximo dia 30 em todo o país.

De acordo com o presidente da Central Única de Trabalhadores do Estado do Rio Grande do Sul (CUT-RS), Claudir Nespolo, é importante que a população vá às ruas e se manifeste em prol daquilo que entende como certo. Ele acredita que a classe política pode rever alguns conceitos devido à pressão popular, especialmente quando há impacto financeiro.

“Muitos desses protestos e as greves existem para impor prejuízo e achamos que eles só vão recuar se tiverem prejuízo. Para os banqueiros, latifundiários e essa turma toda ser impactada precisamos de medidas assim”, avalia Nespolo.

Para respaldar as ações das centrais sindicais, a CUT-RS contratou uma pesquisa junto ao Instituto de Pesquisa Social e Acessibilidade (Ipesa). O levantamento feito em 63 municípios do Estado ouviu 1.503 eleitores (54,9% mulheres e 45,1% homens) e a amostragem indicou que a maioria dos gaúchos quer eleições diretas e se posicionam contra as reformas da Previdência e trabalhista.

Conforme a consulta, 82,6% dos entrevistados optaram por eleições diretas. A pesquisa revela também que 71,3% das pessoas ouvidas são favoráveis às manifestações de rua contra o governo. Quanto às reformas, 72,4% não deseja que seja aprovada a alteração pretendida por Temer na Previdência e 62,4% são contrários à reforma trabalhista.

“Esses dados nos orientam a esticar a corda para poder enterrar as reformas e mudar a política do Brasil. Até porque os 14 milhões de desempregados no país não podem esperar até 2018 para que haja uma mudança”, destacou o presidente da CUT-RS.

No Congresso, porém, o discurso é de que as manifestações não interferem no andamento das reformas. O deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator do projeto da reforma da Previdência, chegou a declarar em entrevistas que “isso não muda absolutamente nada o andamento das reformas”.

As centrais sindicais, no entanto, apostam que conseguindo inserir esse debate nas ruas e na mídia conseguirá chegar à base eleitoral de muitos deputados e senadores, o que pode influenciar na tomada de decisões.

“Já há um número significativo de pessoas contra as reformas, até o senadores da base do governo, como o Lasier Martins (PSD-RS) se posicionou contra as reformas trabalhista e da Previdência. Estamos confiantes que vamos conseguir evitar essa catástrofe”, vibra Nespolo.

Texto: Jordana Czermanski e Rafaela Gerzson

Edição: Sofia Schuck, Eduarda Endler Lopes, Isadora Assis, Michele Nascimento

Diagramação: Vitória Mollerke

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