MUNDO: Trump sob risco de impeachment após escândalo envolvendo FBI e Rússia

Tudo começou quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a demissão do diretor do FBI, James Comey. O problema é que Comey estava à frente da agência em meio a investigações dos laços da campanha eleitoral do presidente com a Rússia. Trump negou a relação entre os fatos, e declarou que sempre teve a intenção de demití-lo, dado contraditório com o comunicado oficial da Casa Branca, que informava a atitude como uma decisão de última hora.

As suspeitas na mídia norte-americana ficaram centradas no fato de que Trump teria demitido o diretor para barrar investigações onde o alvo seria ele próprio, em uma suspeita de contato direto com a Rússia. Trump admitiu ter perguntado a Comey se era alvo de investigação, mas o resultado foi negativo. Ainda assim, Trump pediu silêncio ao ex-diretor do FBI quanto ao caso. Comey, contudo, não atendeu ao pedido e declarou que Trump havia pedido o fim das investigações.

Dias depois, o conselheiro do governo General H. R. McMaster admitiu repasse de informações confidenciais com o governo russo, mas nada quanto a estratégias ou inteligência de segurança nacional. Isso foi o bastante para que o Congresso do país pedisse ao FBI todos os documentos envolvendo o presidente no caso, suspeito agora do crime de obstrução de justiça. Não obstante, um depoimento de Comey foi pedido no processo.

O presidente, como sempre, em sua conta do Twitter, declarou estar sofrendo uma verdadeira “caça às bruxas” no caso. A Casa Branca, temendo os possíveis resultados do processo, começou a preparar uma defesa em caso de um pedido de impeachment. As situações só se agravaram nos dias posteriores, quando foi revelado que Trump havia pedido que funcionários da Inteligência negassem laços com a nação russa.

O genro de Trump e conselheiro do governo, Jared Kushner, também entrou nas investigações, como sendo um dos articuladores da relação entre os países. Trump defendeu Kushner da acusação de manter canal aberto com o país, e se preparou para possíveis questionamentos oficiais quanto ao caso. Ex-diretor de Inteligência questionado pelo Senado, James Clapper afirmou que o caso de Watergate, envolvendo o ex-presidente Richard Nixon, em 1974, foi pequeno comparado à atual situação de Trump.

Comey não parou de atacar o presidente no Senado. Relatou seus pedidos de proteção a assessores e outros desejos que adjetivou como “muito perturbadores”. Trump se resumiu a chamar afirmações de mentiras e difamar o ex-presidente do FBI na mídia, mas concordou com a confirmação de Comey de que ele jamais havia sido alvo de investigações anteriormente. Prometeu também depor sob juramento.

Atualmente, com a pressão exercida por todos os lados (democratas, republicanos e, especialmente, a mídia), mais de um pedido de impeachment está sendo preparado para o presidente, que luta, da forma que pode, contra o iminente impedimento.

Texto: Angelo Werner

Edição: Sofia Schuck, Eduarda Endler Lopes, Isadora Assis, Michele Nascimento

Diagramação: Vitória Mollerke

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