RIO GRANDE DO SUL: Missão do governo gaúcho ao Japão traz na mala acordos contraditórios

Governador Sartori busca atrair investimentos e parcerias

Satori visita lago que é exemplo de despoluição. (Crédito: Luiz Chaves/Palácio Piratini )

Uma comitiva do governo do Rio Grande do Sul esteve no Japão no início do mês de junho para atrair investimentos e parcerias para o estado e promover os produtos locais. O grupo, liderado pelo governador José Ivo Sartori, trouxe na mala boas notícias para o meio ambiente. Uma parceria com a província de Shiga visa prevenir a poluição do Sistema Lagunar Norte gaúcho.Esse sistema corresponde à Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí e possui 3 mil quilômetros quadrados de superfície e uma população fixa de 240 mil pessoas, que chega a 500 mil nos meses de verão. Boa parte das águas tem qualidade apropriada para o consumo humano, mas há sinais de degradação em diversos pontos. A ideia é utilizar a tecnologia japonesa para evitar esses danos. “Nós vamos poder implementar um sistema de monitoramento moderno e atualizado, em que as pessoas conheçam as condições das lagoas e saibam como elas para assim po

der implementar ações de conservação e melhoria”, afirma Ana Pellini, secretária do meio ambiente do estado, que participou da missão ao oriente. O exemplo da iniciativa veio a partir do Lago Biwa — o maior e mais antigo lago doce do Japão — e que passou por um grande processo de despoluição depois de ter sido afetado por fatores que também estão atingindo o plantio de arroz e a urbanização no sistema lagunar no norte do RS.

Por outro lado, o governo também fechou parcerias importantes relativas ao carvão, uma fonte de energia barata, porém muito prejudicial ao meio ambiente por lançar no ar partículas e gases que atuam no processo do efeito estufa e do aquecimento global. Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com a maior reserva de carvão mineral do Brasil.

Uma pesquisa publicada no ano passado pela Global Burden of Disease mostra que mais de 5,5 milhões de pessoas estão morrendo de forma prematura no mundo todo ano como resultado da poluição do ar, cuja principal causa é a emissão de pequenas partículas a partir de usinas de energia, fábricas, veículos e da queima de carvão. Além disso, de acordo com o geólogo e pesquisador da UFRGS, Paulo Alves, o processo de queima do carvão também prejudica o solo. Ele julga a parceria irresponsável: “arruma de um lado e estraga de outro”, conclui.

Questionado sobre o assunto, o secretário de Minas e Energia, Artur Lemos Júnior disse que esse foi o auge da missão. “Conseguimos demonstrar o interesse do Estado em firmar parcerias que tragam investimentos para a área. Afinal, o carvão é uma das riquezas do Rio Grande do Sul e deve ser bem utilizado tanto na esfera econômica quanto política”, afirmou.

Texto: Rafael Santos da Silva

Edição: Sofia Schuck, Eduarda Endler Lopes, Isadora Assis, Michele Nascimento

Diagramação: Vitória Mollerke

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