BRASIL: Gestores conservadores se apresentam como alternativa a crises econômicas

Temer, Sartori e Marchezan se apresentam como conservadores e aplicam políticas econômicas protecionistas e do Estado Mínimo

Durante as gestões de Lula e Dilma (sobretudo, o primeiro), houve uma aposta grande na liberação de crédito de dinheiro e empréstimos à população. Isso permitiu, por exemplo, que famílias mais pobres tivessem acesso a equipamentos eletrônicos, melhor mobília em suas casas, carros, imóveis — Minha Casa Minha Vida surgiu nesse cenário. Esta política foi acompanhada, claro, por uma valorização do salário mínimo. No entanto, com o simultâneo endividamento dos brasileiros, principalmente dos gaúchos, essa política sucumbiu.

Soma-se a isso o aumento da inflação, pois havia muito dinheiro circulando na economia. Com mais pessoas endividadas, os gastos caíram, assim como a produtividade. Começamos, então, sair da condição de pleno emprego e atingir números históricos de desocupação. Foi neste cenário que partidos de esquerda perderam espaço para partidos conservadores. No âmbito nacional, Dilma sofreu impeachment, um golpe estimulado por setores econômicos; no Rio Grande do Sul, Tarso (também do PT) deu lugar a Sartori; em Porto Alegre, os trabalhistas do PDT perderam para Marchezan, do PSDB.

Michel Miguel Elias Temer Lulia, 76 anos, tomou posse em 12 de maio de 2016. De lá para cá, muitas decisões equivocadas que precisaram ser revistas. Com a promessa de reduzir o número de ministérios para 20, o atual presidente precisou voltar atrás em busca de aliados. Temer excluiu nove pastas, de 32 para 23. Dias depois, após protestos da classe artística, ele editou Medida Provisória recriando o Ministério da Cultura. Atualmente, são 28 ministérios. Além disso, a posse do peemedebista foi marcada pela ausência de mulheres. A gestão Michel Temer é a primeira nos últimos 30 anos que não tem nenhuma mulher em seu primeiro escalão.

Quatro dias depois, após muitas críticas, ele anunciou o nome de Maria Silvia Bastos Marques para a presidência do BNDS. Além do teto para os gastos públicos, ele propôs ao Congresso Nacional reformas na Previdência Social e na Consolidação das Leis do Trabalho. Os polêmicos projetos que mudam as regras previdenciárias e trabalhistas estão em discussão no parlamento. O país ganhou cerca de 2,6 milhões de novos desempregados no primeiro ano de governo peemedebista. É uma alta de 23,1% com relação ao número de desempregados observado no primeiro trimestre imediatamente anterior à sua posse.

Texto: Paula Estivalet

Edição: Sofia Schuck, Eduarda Endler Lopes, Isadora Assis, Michele Nascimento

Diagramação: Vitória Mollerke

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