DESABAFO: não seria uma boa hora para o circo pegar fogo?

Jornalistas Livres
Mar 16, 2018 · 3 min read

Por Israel do Vale, sobre Marielle e o genocídio do povo negro

Escrevi este texto no calor dos acontecimentos, na madrugada insone de ontem, ainda sob efeito de inconformismo e indignação com a notícia sobre a execução de MARIELLE. Mas acabei não postando em lugar nenhum.

Como os movimentos de legitimação da barbárie institucional vão se insinuando e, sem resistência, não devem tardar a ser confirmados, resolvi partilhar meu desabafo com mais gente por aqui.

Há quem vá chamar de “teoria da conspiração”. Mas, resumindo, não me surpreenderia se este movimento tivesse sido calculado para ganhar respaldo para a intensificação do terrorismo de estado — sem que se esperasse, claro, que a reação tivesse os níveis que tiveram.

Neste caso, eu acrescentaria que a explosão deste arremedo 2.0 de RIOCENTRO (um marco na história dos “serviços de inteligência” tabajara) pode ter saído pela culatra — mais uma vez…

Aos que tiverem tempo e disposição para semitextão, sintam-se convidados ao debate, pra refletirmos um pouco juntos sobre isso.

Em tempo: nada conta o circo, seus artistas e sua gente, naturalmente — símbolos da resistência e da capacidade de improviso do povo brasileiro, desde sempre.

Segue o desabafo:

Muita hora nessa calma
[pra não deixar de ir pra cima, com a consciência de que talvez seja isso que se queira…]

Não foi um atentado contra uma parlamentar, simplesmente –mas contra uma parlamentar de esquerda, que defendia direitos elementares de uma parcela dos cidadãos que tem sido mais humilhada que de hábito.

Não foi num lugar qualquer –mas numa terra sem lei, um faroeste caboclo, antro do que há de pior na pior política praticada neste país.

Não foi numa situação normal –mas em uma cidade ocupada ostensivamente pelas “forças de segurança”, a mando de gente deplorável relacionada a crimes de provas cabais, que se travestiu de autoridade rasgando a Constituição.

Tudo parece claro demais pra ser coincidência. E o jogo de sombras desta tragicomédia de erros tem um roteiro previsível: o desejo de recrudescer, sob o argumento de que é preciso botar ordem nesse barraco.

Não lembro se já falei sobre isso. Mas tudo está claro demais pra ser coincidência. E há um cheiro de Riocentro no ar. Só que, desta vez, vão tentar deixar a bomba no colo do “inimigo” –aquele que pensa em mais que si mesmo, que defende o direito de se ter direitos, que persegue uma utopia chamada democracia.

Fizeram desse país uma República de Bananas, definitivamente. À base de um festival de falcatruas estrelado por quem deveria zelar pra que não fosse assim. E de uma sucessão de cortinas de fumaça que tentam encobrir o que há por trás, sempre –e, aqui, cabe o estado de alerta, mais uma vez.

Uma República de Bananas ungida sob as bênçãos das grandes corporações da mídia e dos patos-patetas-patéticos de camisas-amarelas, que dá mais um (o definitivo?) passo firme adiante, num triste momento histórico, em direção ao abismo.

Esta pocilga, senhoras e senhores, virou um circo. E os palhaços seguimos aqui. Ladies and gentlemen, sejam bem-vindos ao Gran Circo dos Horrores Infinitos. Estrelando a elite mais tacanha (como atiradora de facas?), os políticos mais grotescos (equilibristas na corda bamba?) e (na sala dos espelhos?) a justiça mais inepta do universo!

Na apoteose, a #PERGUNTAqueNÃOquerCALAR: não seria uma boa hora para o circo pegar fogo? Mas cabe perguntar mais, enquanto se pode: uma boa hora pra quem, cara pálida?!

Tem um cheiro estranho no ar. E uma nova bomba pode ter sido armada. Usando-se Marielle como pavio…

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