Inti Raymi, o ano novo andino

Texto e fotos de Lincoln K., especial para os Jornalistas Livres

No dia 21 de junho comemora-se o Inti Raymi — o Ano Novo Andino; segundo o calendário inca estamos no ano 5523.

Tradicionalmente a data é comemorada no Equador, no Peru, na Bolívia e por alguns povos da Amazônia, segundo Juan Cusicanki, boliviano de La Paz. Vestido a caráter, ele carrega uma cuia com chicha — uma bebida feita a base de milho — e a oferece aos participantes da festa. Ele está representando Yatiri, xamã, em aimará

Como no ano anterior, também realizada no Memorial da América Latina, mas em outro espaço, a comemoração é iniciada com uma breve cerimonia, com a apresentação de Manco Capac e Mama Ocllo, reis incas, e do sacerdote, que tomam acento no centro do palco.

A primeira apresentação é a do grupo musical peruano Conima, que toca tambores e zampoñas, flauta típíca dos andes. O grupo é formado somente por homens e há entre eles um garoto.

Após a apresentação, Juan faz uma breve saudação, seguido pela saudação dos reis incas, que em seguida já deixam o palco.

O próximo a se apresentar é o grupo folclórico Kantuta Bolívia, formado por moças e rapazes que realizam a apresentação do caporal precisamente coreografada. Além da dança, a vestimenta também chama a atenção: as moças vestem uma saia curta e uma blusa de mangas compridas, sapatos de salto alto e um pequeno chapéu preso à cabeça; os rapazes usam camisas e calças bufantes, botas com guizos e um chapéu com abas largas com a inscrição ‘Kantuta’. A dança dos rapazes e das moças é apresentada separadamente: a dos rapazes é composta por movimentos amplos e saltos, demonstrando de agilidade; a das moças é sensual, com movimentos graciosos, com giros e rodopios da saia curta. Segundo Juan Cusicanki, o caporal é uma dança de origem afroboliviana que representa os capatazes dos negros escravizados trazidos à Bolívia no período da colonização espanhola.

‘Celina Castro canta e encanta’ — é assim que a dançarina e cantora de El Salvador se apresenta ao público. Em sua performance Celina fez um pot-pourri com músicas de vários países da América Latina. Sempre simpática e sensual, a artista faz questão de interagir com o público em suas apresentações; desta vez não foi diferente. Desceu do palco e convidou os participantes a bailarem. Após sua apresentação, converso rapidamente com Celina, que me conta que é casada com brasileiro e que vive há dois anos no país. Há aproximadamente quinze dias foi a Brasília receber da embaixadora de El Salvador o reconhecimento de ‘Mulher Imigrante Exitosa’ pelos trabalhos artístico-culturais que realiza junto à comunidade de imigrantes no Brasil.

A última apresentação ficou por conta do grupo folclórico Tinkus Jairas. O grupo foi criado em abril de 2012 por Maria Natalia Cordero, a líder do grupo. Maria Natalia explicou-me que a dança Tinkus é originária de uma região entre Oruro e Potosí e a palavra significa ‘encontro’ em aimará e ‘ataque físico’ em quéchua. Muito gentilmente Dona Maria vai buscar uma caderneta onde tem anotado em português uma breve explicação sobre a origem e o significado da dança. Trata-se de um ritual praticado em um cerimonial entre duas comunidades em que dois combatentes lutam entre si. O derrotado deve derramar seu sangue em abundancia como sacrifício em oferenda para Pachamama, a mãe terra, para que lhes de uma colheita abundante. A apresentação do grupo Tinkus Jairas é vibrante, assim como suas roupas, adereços e chapéus coloridos. Não há como ficar indiferente diante da presença deles.

Segundo Hugo Fernando Vargas, do Instituto de Cultura e Justiça da América Latina, a festa deveria ter sido realizada no domingo passado, dia 21, data em que se comemora o Inti Raymi. No entanto, foi transferida para o dia 28 em virtude da Virada Cultural realizada em São Paulo.


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