Torcida Única não é a solução

O Brasil não consegue vencer a luta contra o tráfico de drogas e não consegue lutar contra a violência urbana os números de homicídios nos últimos anos são iguais e até maiores a países que vivem em guerras. A questão da violência chegou ao futebol, na questão das torcidas organizadas e o que a justiça resolve fazer, jogar o problema para baixo do tapete e responder para sociedade que a única questão de resolver as brigas entre os torcedores dentro e fora do estádio, é colocar torcida única como forma diminuir e resolver a violência. Foi uma resposta a sociedade, mas também um paliativo para resolver essa questão, como também resolve em outras questões quem envolve o tema no geral.
Na última sexta-feira (10), o Ministério Público do Rio aderiu à bobagem cometida em Minas Gerais e São Paulo e por medida liminar, estabeleceu a torcida única nos jogos do Campeonato Carioca entre os quatro grandes do Rio de Janeiro (Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense). As conseqüências dessa liminar podem prejudicar a realização da partida entre Flamengo e Vasco (Sem lugar de definição até o momento que este artigo está sendo escrito), valida para a semifinal da Taça Guanabara. Sem o Maracanã, que está fechado devido ao descaso dos nossos governantes na gestão ex-governador e agora presidiário Sérgio Cabral Filho, restaria o Engenhão, mas com as duas equipes contra a decisão do MP, não sabemos onde essa partida será realizada.
A decisão veio do promotor Rodrigo Terra e foi aceito pelo juiz Guilherme Schilling, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do Rio, com o objetivo de reduzir a violência após o ocorrido no último Botafogo e Flamengo. Essa decisão veio devido a morte de um torcedor envolvendo as duas torcidas e não sobre a questão da polícia militar cujos soldados não foram para o estádio como estava nos planos, sendo barrados por protestos de familiares contra o descaso do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
O argumento da redução da violência se torna vazia quando nos lembramos do torcedor do Fluminense, que não era de organizada e apenas gostava de seu time, foi agredido perto do Maracanã neste ano quando voltava de um jogo em Xerém, além disso, não resolve a questão dos brigões que marcam suas batalhas em todo estado ou brigam entre as torcidas que são pertencentes ao mesmo clube de futebol. Essa decisão acaba mostrando como é ineficaz nas medidas de prevenção e inteligência nos arredores do estádio, privando torcidas rivais de ocuparem o mesmo espaço, sem olhar a situação como um todo.
Em vez de seguir as diferentes experiências bem-sucedidas de combate à violência no esporte pelo mundo como Alemanha e Inglaterra enfrentaram o hooliganismo, através de política preventiva contra violência, identificando torcedores violentos e retirados dos estádios, além de bani-los permanentemente. Nessa questão seria preciso mapear essas pessoas que estão lá com outro propósito que não é acompanhar o espetáculo com parceria entre clubes, secretaria de segurança e governo, para enfim acabar com a raiz da violência. No Brasil temos o exemplo dos torcedores que foram presos na Bolívia devido ao sinalizador que matou o jovem Kevin Spada, alguns deles já apareceram em brigas entre as torcidas e diversos estádios do país e nada foi resolvido.
Essas brigas mostra que é uma minoria participante e não no geral. Se identificá-los e puni-los com tem que ser, talvez pudessem ter uma diminuição das brigas dentro e fora dos estádios, mas como tudo no Brasil é proibir, não se resolve e isso tem a crescer. O país está seguindo o retrocesso quando o assunto é torcida única. Algumas cidades como Roma, Buenos Aires e Belo Horizonte já estão recuando sobre a questão. Em São Paulo, muitos defenderam a tal medida, mas a violência só mudou de endereço. Agora essa medida chega ao Rio de Janeiro e assunto volta a ser comentado e criticado.
Precisamos ver que falhamos na pedagogia social da nossa sociedade. Somos violentos por natureza. Muitos morrem em briga boba de bar, em filas de mercado e até por vaga de banco numa praça de alimentação, como aconteceu em um shopping aqui no Rio de Janeiro. Essa questão um dia chegaria aos estádios e a conta chegou e que fizeram? Proibiram a festa em vez de estudar a sua causa. A medida da Torcida Única, até mesmo na questão 90/10 entre mandantes e visitantes e o caminho para a morte da festa e do futebol. Eu quês nasci em um ambiente no velho Maracanã, com torcida dividida, festas e provocações entre as torcidas não pode aceitar essa tal medida por um simples achismo da nossa justiça, como a nossa política que simplesmente tenta resolver algo temporariamente como resposta a sociedade, mas nunca vai à causa para acabar com a raiz. Como tinha dito no início do texto, se falhamos contra questão das drogas e a violência urbana, vai falhar também na questão das brigas de gangues travestido de torcedores e torcida única não é solução e nem estanca a sangria, como falou Mansur em seu artigo. É preciso fazer muito mais do que uma medida, mas infelizmente não querem.
