MAGMA
Ella escreve para de certa maneira esquecer o que se passa a sua volta, é sua droga secreta é o seu agente alucinógeno, é o crime sem previsão nos diplomas penais vigentes.
Em seus escritos Ella some, só aparece 15 anos depois, trai o amor que lhe fora ofertado, é fiel irremediável, mata alguns desafetos, esboça algumas confissões, e ninguém sabe nem desconfia, poderia se pudesse, descrever a formula secreta da coca-cola, dir-se-ia que poderia expor os segredos dos 7 selos de Apocalipse, o processo alquímico que transforma barro em ouro, que ninguém, absolutamente ninguém desconfiaria.
Quando escreve, tem uma certeza quase messiânica de que não será lido por ninguém, ou se lido será tão ignorado, quanto Ella é, por isso os devaneios que consigna em suas folhas, digo folhas, pois dispensa qualquer aparato eletrônico, acredita que essas coisas que saem da alma e do coração, não podem ser corrompidas por estes equipamentos, que deturpam o entendimento e afastam as pessoas, assim pensa.
Acredita inclusive, que é duas pessoas, aquela rotineira, da faculdade, da padaria do convívio com os amigos e familiares, e a outra que a satisfaz, sendo quase um gozo, quando termina um texto, e assina seu nome ao fim, esta segunda, pode ser quem quiser, não há preconceitos ou vizinha com varizes, censores públicos da moralidade e dos bons costumes.
De todos seus personagens há uma em especial, DALILA, seus casos, são tão incitantes como o nome da personagem, Ella dá vazão a todos seus desejos secretos, afronta, convence, transa sem pudores, não carece de heróis ou heroínas, é co-criadora do seu destino, bebe cerveja, fuma e cospe no chão, não precisa dos padrões do establishment, foge ao senso comum, nos seus casos está sempre na linha fronteiriça entre a loucura e a sensatez.
É absolutamente tudo aquilo que Ella sempre quisera ser, e não o é por não dispor da coragem e ousadia de sua Heroína e Vilã, quando pensa em jogar tudo pro alto e “meter um marlom brando nas idéias e sair por ai”, sente uma trava, algo que Ella já identificou e classificou como Deimos, então, sofre, deixa aquela força se acalmar, toma seu antidepressivo e se contenta em entregar o T.C.C para avaliação do orientador.
Tem consciência que não poderá segurar esta força por muito tempo, não pode prevê os estragos que causará, mais já sente um alivio só de pensar que esse dia chegará, enquanto isso, waiting, waiting… , assim como os ladrões, refugiados e políticos em Casablanca, como as mulheres de Atenas, espera como Citlaltépetl, o Pico de Orizaba, que esta força jorre, e que corte como faca cega a carne dos puretas.
Giovanni Ella.
