MEDO: SUBSTANTIVO ANDRÓGINO

Foi tão rápido, os corpos se encaixaram de tal forma que difícil foi separá-los ao fim da noite, ali se juraram um ao outro, tal qual os contos do era uma vez.

No dia seguinte, ressaca brava, ânsia de vomito o dia inteiro, borboletas no estomago, nenhuma mensagem, está de joguinhos, pensa.

Segunda-feira, chefe chato, colega chato até o sol é chato por insistir em raiar.

O telefone vibra o dia inteiro, só o que não vibra é o amor da noite anterior que não lhe mandou um paupérrimo Oi?, Era tudo mentira, foi no calor do momento, tudo bem, foi só uma noite, excelente, mas só uma noite.

São 23h00min, e nada, a cada cinco minutos aquela olhadela, e nada, desisto, foi loucura de uma noite só, são todos iguais, não prestam mesmo, deveria ter percebido, quando me disse que eu fui o acaso mais feliz que já tivera, alias seu português era polido demais, talvez fosse um daqueles charlatões ou psicopatas, estou no lucro.

Fala com uma amiga, expõe-lhe a causa e o causo, essa com a fúria oceânica, fulmina o objeto da conversa, — É cafajeste de marca maior!!, Vencida por aquela constatação veemente, consente.

Antes de dormir consigna:

-Ligar é demonstrar fraqueza, adormece como as princesas do era uma vez.

DO OUTRO LADO DA CIDADE

-Cara, fica assim não, ela vai te dar um Oi?, é que às vezes elas precisam de um tempo, não podem se entregar de cara, acho que elas agem assim, não por maldade, mas para dar um “Q” a mais no negocio, disse o conselheiro.

-Não sei, li que as mulheres modernas, quando estão afim são claras e objetivas, umas até tomam a dianteira das relações, são mais empoderadas, saca?, Talvez tenha me dito o que disse, por conta das taças de vinho, foi nuvem passageira, certamente está com outro “contatinho”.

-Nem para “contatinho” eu presto, balbuciou o Romeu em chamas.

Então adormeceram cada um em um canto da cidade, adormeceram como adormecidos estão seus corações, e o ladrão que subtrai a essência da vida, o medo, sai ileso novamente.