Um mercado realmente popular.

Fachada tombada pelo Instituto do Patrimonio Histórico e Artistico Nacional (Iphan).

O espaço mais democrático da cidade. Assim se define pelos meios de comunicação, o Mercado Municipal de Joinville (MMJ). Esta narrativa, idealizada pela cadeira de Pesquisa em Design, tem por finalidade, analisar os hábitos de consumo dos clientes do espaço supracitado.

A análise pode ser dividida em três momentos, a primeira visita, o relato do empresário Valmir Santiago Júnior e a segunda visita. A priori, a proposta foi de ir a campo apenas em caráter observativo, sem contato direto com o consumidor, para entender o padrão de consumo alimentar do mercado.

Alguns adendos antes de iniciarmos a visitação em si. O estacionamento do mercado municipal é extremamente confuso, não deixando claro ao visitante onde é permitido ou não estacionar. A iluminação do entorno do mercado (estacionamento e praça) é pífia, repassando sensação de insegurança. Os acessos ao mercado também são confusos, podendo gerar multas aos condutores.

Em síntese, em nossa primeira visita, numa sexta-feira à noite, pude observar um lugar mais calmo, com pouco mais de 16 mesas ocupadas durante o período de observação, das 19:30 às 22:00h. Como estávamos apenas observando, ocupamos uma mesa e passamos a consumir, imergindo na análise.

O padrão de consumo se resumia basicamente em cervejas e porções, com raras exceções que consumiam chopp, vinho, hambúrgueres, tabuas de frios e uma única pessoa consumindo sushi. Esse padrão de consumo variava de acordo com o estilo da mesa, se feminina ou mista, cervejas com petiscos, se masculina, hambúrguer com chopp, se familiar, tábua de frios com cerveja, e por fim no balcão, esta única mulher consumindo sushi. Outro padrão que pode ser observado, é de maioria feminina e as idades dos frequentadores variando principalmente dos 40 aos 60 anos. Creio que a idade relativa deste público, deve ser por conta da música, MPB, que estava tocando nesta noite. Tenho algumas impressões específicas sobre esse público mais velho, que parecia ter ido paquerar, também há uma dificuldade de comunicação, pois a altura do som, atrapalha a comunicação das mesas e até com os atendentes.

Fonte: Facebook Stammhaus Caffé — Fachada interna

Em um segundo momento, convidamos o proprietário da Stammhaus Caffé, um dos pioneiros desta nova etapa e Ex-Síndico do Mercado Municipal, para uma conversa aberta sobre sua experiência no local. Nesta conversa ele comenta que sua experiência no mercado é muito mais antiga que o seu atual empreendimento, informa que seu pai, possui uma verdureira no mercado desde a década de 80, basicamente circulando nos corredores do mesmo desde criança. Porém resolveu se aventurar como empreendedor, depois de trazer de Chicago algumas tendências de inovação, que há época eram a cerveja artesanal e a culinária típica. Isso o fez em 2012, na inauguração, ser o precursor da cerveja artesanal na cidade, chegando a ter mais de 200 rótulos, hoje, mantendo cerca de 70.

Ao longo do bate papo, me chamou atenção, a informação que o estilo de música que toca no dia, comanda o ticket médio do cliente, e influencia seu hábito alimentar. Neste momento ele cita, que por exemplo na sexta-feira dia da nossa análise, toca MPB, e com isso o público que vem, tem um estilo específico e confirmou o padrã0 de consumo descrito acima, já na quinta-feira, toca Samba, na quarta-feira, Sertanejo e por fim no sábado, Pop e Rock. Cada dia tem seu fiel público e os hábitos alimentares, variam de acordo com a música. Outro fator informado, é que o MMJ não possui acesso a conta do facebook, já que é responsabilidade da Prefeitura e o mesmo encontra-se desatualizado desde 2015. Atualmente os próprios boxistas, em seus facebooks, fazem a divulgação da programação musical. Outro fator importante de divulgação foram as parcerias executadas junto a RBS TV, de eventos próprios, tais como: jogos de futebol, eventos musicais, festividades municipais, encontros de carros antigos, dos quais, um se destacou muito, o Festival de Cucas, que já está em sua terceira edição, vendendo nesta última, quase 20.000 cucas. Hoje o espaço de atendimento é tanto interno, dentro dos boxes, ou externo, na marquise e na praça. Para poder utilizar esta área da praça, foi feito um termo de ajustamento de conduta, onde eles assumem o custo das bandas e não precisam pagar a taxa mensal por uso da calçada da praça.

Fonte: Facebook Stammhaus Café — Cervejas Artesanais

Retornamos ao MMJ, agora em um sábado, para fazer novas análises e de pronto verificamos que a abordagem seria completamente diferente, visto que o público havia mudado completamente também, assim como os hábitos de consumo. Era sábado, próximo das 10:00h quando chegamos, a música já era um pop/rock leve, o pessoal que já estava no local, bem mais jovem que na sexta-feira, com média de 30 anos, mais bem dividido, com igual número de homens e mulheres, e com um padrão de consumo diferente, o chopp era a bebida preferida nas mesas, a maioria não esta comendo ainda, mas estava lá para almoçar. Nossa observação se estendeu até às 13:00h. Ao longo da observação, abordamos pessoas e procuramos entender um pouco da perspectiva deles e de seu entendimento sobre o MMJ. Abordei alguns turistas, pois era época de Festival de Dança. Conforme o horário do almoço foi chegando, a público foi aumentando, em sua maioria, em busca de almoço e diversão. Uma das opções é o Buffet do Stammhaus Caffé, além é claro dos cardápios a La Carte, Petiscos, Hambúrgueres e Porções.

Fonte: Facebook Stammhaus Caffé — Buffet de Almoço no Sábado.

Com o início da tarde, começam a chegar os grupos de motociclistas, que são a maioria do público da tarde do MMJ, reunindo até 300 motociclistas. Neste momento temos mais de 500 pessoas no local, em dias especiais, chega a ter mais de 1000. O Rock já tomou conta do mercado, o clima é de euforia, amizade e festa. O consumo de bebida cresce rapidamente, assim como o de porções, elevando assim a média de gastos do dia.

Fonte: Facebook Stammhaus Caffé — Sábado típico no Mercado Municipal de Joinville

Como entendimento deste processo, descobre-se que há um mercado público para cada tipo de cliente, que o ticket médio varia conforme o dia, o consumo de determinado tipo de bebida pode variar de acordo com a música e principalmente, o tempo médio de permanência durante a semana é de 45 minutos, já no final de semana, chega a 2 horas. O público é variado, da classe A à classe D, que se congregam como velhos conhecidos. Os hábitos alimentares, também se alteram conforme a música. Entende-se que há espaços para uma melhoria continua, com um pensamento em atender diferentes classes, como veganos, intolerantes a glúten ou lactose, portadores de necessidades especiais, entre outros. Uma programação divulgada com antecedência e unificada, facilitando o entendimento, já que não pode ser feita via facebook oficial do MMJ, pois nem sempre o cliente lembrará do nome específico do box e acabará procurando como Mercado Público. O ambiente é tradicional e histórico, falta apenas mais divulgação, para ter um apelo maior entre a população e os turistas.

Realmente um espaço que acolhe a todos, capaz de servir bem quem quer que seja. Como já foi dito, o espaço mais democrático de Joinville.

José Luiz Cercal Lazzaris

Designer.

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