Welcome back, my friends, to the show that never ends…


4 anos e 8 meses é tempo na vida de uma pessoa! Sim, esse foi o intervalo da última postagem que escrevi no meu finado blog, intitulado PRAGMA: Política, Cognição e Cultura de Consumo, que mantive em atividade contínua desde maio de 2007. Olhando desse perspectiva, são 8 anos e meio na vida de uma pessoa (!!!). É tempo prá caramba, especialmente quando olho no retrovisor e vejo a quantidade de pessoas, trabalhos e acontecimentos que entraram e saíram da minha vida…
No PRAGMA, eu escrevia sob a perspectiva de uma personagem: a de um Escriba. Flanêur por definição, misantropo em postura e velho em essência, era ele que naqueles tempos assumia a minha digitação nos momentos de solidão, concentração, indignação e inspiração. Nestes, eu era mais magro, tinha cabelo (sim, ele já começava a escassear), as ideias fervilhavam em minha cabeça, por estar no esplendor da juventude e no primeiro terço do meu percurso profissional no ensino superior. O mundo para mim era uma avenida de 6 pistas só de ida: larga e cheia de oportunidades. Uma verdadeira autobahn…
Pois bem, o que mudou desde então? E por quê escrever novamente numa plataforma de blog? O espírito do antigo PRAGMA irá voltar? E o Escriba, voltará também?
Vamos por partes…
Muita coisa na minha vida mudou nestes quase cinco anos de interrupção. Primeiro, mudanças físicas: estou mais denso (gordo é ofensivo!!!), careca, com uma barba espessa. Daqui a pouco adentro o outono da minha vida e, como tal, a maturidade impõe-se: opiniões menos radicais, porém mais emotivas. No entanto, assevero, o espírito é o mesmo. Continuo um flanêur, porém cada vez mais ácido, descrente e desconfiado. Diga-se de passagem, pessoas sempre foram (e são) um tema curioso em minha vida: desde que me reconheço como gente fui um inveterado questionador da psicologia humana — especialmente em suas contradições, impasses e vicissitudes. Não é à toa que sou Psicólogo com Doutorado na área, e faço do fenômeno humano a minha essência de cronista e pesquisador.
No âmbito profissional, o meu percurso adensou-se também: hoje, leciono em duas universidades brasileiras de prestígio e excelência (UERJ e FGV), na graduação e nos programas de Educação Executiva (MBAs e Mestrado Profissional). Em especial, os meus alunos de Mestrado têm me trazido uma densidade reflexiva ímpar, que renovam o meu vigor acadêmico para a pesquisa aplicada. Ou seja, o meu oxigênio intelectual! Também, as minhas atividades de consultoria empresarial cresceram, tendo trabalhado em empresas de diversos tipos (médias e grandes, públicas e privadas) com parceiros que foram se tornando os meus amigos diletos.
No âmbito pessoal, tomei algumas decisões típicas de quem vislumbra a chegada do outono existencial: procurei introduzir mais cor, prazer, movimento e criatividade. Comecei o aprendizado de música por um instrumento um tanto o quanto curioso: a gaita de foles galega. Tornei-me gaiteiro pelo simples motivo de que nunca me vi fazendo coisas fáceis, previsíveis. Aliás, a música é parte essencial da minha vida e sempre desejei tocar algum instrumento — mas nunca fui incentivado dada a premência pela sobrevivência financeira e pela busca da estabilidade empregatícia. Agora, um pouco mais calmo, resolvi tomar essa decisão com os seus desdobramentos associados: hoje, toco numa banda de gaitas galegas, estudo percussão brasileira e ainda exorcizo os meus demônios cantando em uma banda de rock. Aliás, se você não me conhece mais amiúde, saiba que você está adentrando no espaço de um geminiano típico: múltiplos interesses e paixões intensas, mas que padecem da superficialidade e do enfado crônicos!
Todo este intróito para dizer aos meus (poucos) leitores: sejam novamente muito bem-vindos ao show que nunca termina! Posso ter envelhecido um pouco, adensado a minha silhueta ainda mais, mas a verve continua a mesma. Voltei a escrever por sentir a necessidade premente de organizar as minhas ideias. Não que eu não tenha escrito nesse interregno de tempo; aliás o tenho feito em demasia — só que na linguagem acadêmica dos papers das revistas internacionais. Porém, aqui sinto que poderei exercer um espaço de produção mais autoral, mais opinativo e crítica.
Os temas que eram abordados no PRAGMA estarão de volta. Ou seja, será um espaço de escrita, leitura e reflexão de questões que me motivam, profissional e pessoalmente. Falarei aqui de marketing, de internet, das tecnologias digitais, de consumo e dos estudos organizacionais. Mas também falarei de educação, música, vinhos, cervejas artesanais, cinema, literatura, artes e outras tantas paixões que nutro —dentre essas, as mais recentes são os seriados de televisão que, tenho de confessar, sou um viciado incontrolável!
Não esperem aqui coerência de tema e de pensamentos. Escrevo motivado por sons, por textos que leio, por vídeos que assisto, por experiências do mundo real que me tomam de assalto, sejam pelo amor sublime ou pela indignação mais profunda. Faço isso porque é necessário, é preciso, é incontrolável! Logo, quem é meu aluno pode conhecer uma faceta complementar do professor e do pesquisador: não necessariamente coerente, porém absolutamente autoral…
Logo, sejam todos vocês muito bem vindos, novos e antigos leitores acompanhantes de jornada. Procurarei a regularidade da postagem semanal de textos, mas o método de escrita é semelhante ao restaurante que possui o seu menu do dia. Depende dos ingredientes disponíveis e da disposição deste chefe de cozinha/escritor.
Ah, e antes que perguntem se o velho Escriba está de volta, eu vos digo: ele não apenas voltou, mas está impossível! Ele continua achando que a vida é uma autobahn — não mais de 6 pistas só de ida como antes, mas que ela deve, sim, ser vivida, percorrida e descrita. Let´s get the show on the road, again!